Atlético-MG, Ronaldinho

O trono de Ronaldinho está vago. E não há ninguém na fila para ocupá-lo

Treino 06.06.2014

Se um dia a profecia de Alexandre Kalil se materializar na forma do tão sonhado estádio atleticano, o convidado de honra para cortar a fita vermelha certamente será Ronaldinho Gaúcho.

Toda vez que o Atlético disputar uma final, ele certamente estará na primeira fila da tribuna de honra. Toda vez que o atleticano comemorar o aniversário da primeira Libertadores, certamente se lembrará do craque que mudou seu destino.

Comparado a outros ídolos alvinegros, como Dario, Reinaldo, João Leite e Marques, Ronaldinho teve pouquíssimo tempo de casa. Dois anos e dois meses, porém, foram suficientes para torná-lo maior que todos os outros. Pela conquista da América, pela projeção internacional emprestada ao Atlético e pelo resgate institucional de um clube até então desacreditado.

Ronaldinho apresentou ao torcedor atleticano o que há de melhor no futebol – e o fez se acostumar com o espetáculo de alto padrão. Lampejos do que havia sido no Barcelona despertaram momentos de verdadeira magia no Horto, dadas as sucessivas desilusões com times medíocres e medalhões desalmados.

Esse é o maior legado da estrela, que joga um peso enorme sobre o clube e principalmente sobre a próxima diretoria. O Atlético de Alexandre Kalil não se preparou para a sucessão de Ronaldinho.

Não significa contratar um nome consagrado, até porque a chegada de R10 foi o acaso de uma aposta pessoal e arriscada do presidente, que, depois de tantas cartadas em vão, acertou logo com aquele que se tornaria o maior jogador da história atleticana.

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Tardelli é ídolo. Victor, idem. Embora não tenham o tamanho de Ronaldinho, servem de alento para uma geração de torcedores que por muitos anos careceu de nomes dignos de aplauso na arquibancada.

O vácuo deixado pela saída do astro-mor é técnico. Não há jogador no elenco atual que crie, que seja capaz de inventar algo diferente ou de fazer o time jogar. Fato evidente desde o fim da Libertadores, quando as condições físicas de Ronaldinho já davam sinais de esgotamento.

A renovação do contrato do craque, mentor de Messi e Bernard em outras épocas, deveria ter sido atrelada ao processo de lapidação de um novo camisa 10. Ou mesmo de um volante criativo. Hoje, Levir Culpi não dispõe de nenhuma dessas peças. Guilherme é atacante de origem. Maicosuel e Luan jogam pelos lados.

Quando chegou à Cidade do Galo, Ronaldinho disse que um de seus objetivos era elevar o Atlético a “outro patamar”. E o elevou ao ponto que nenhum atleticano poderia imaginar. Mal acostumado à genialidade passageira do craque, o torcedor, ao procurar por seus dribles e sacadas primorosas, verá a ficha cair.

O problema não é o adeus do ídolo, mas a constatação de que futebol bonito e resultado dificilmente entoarão na mesma sinfonia sem a batuta de Ronaldinho no gramado do Horto.


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Atlético-MG, Ronaldinho

Parabéns, Ronaldinho

O craque faz 34 anos.

O futebol já não é o mesmo do Barcelona e, ultimamente, está aquém das últimas duas temporadas pelo Atlético.

Mas essa talvez seja a fase mais autêntica e polivalente de toda sua carreira.

Merece os parabéns, porque:

Ele ostenta…

…Mas, desdenhando das aparências,  se veste da maneira que lhe convém

É amado pelos gringos

Até por Maradona

Ainda engana bem…

Não poupa nem os mais velhos

Tem escritório na praia

Sempre gostou de um carnaval

Com seu bonde a tiracolo

Apita o rachão da molecada no sítio

ronaldinho juiz

Faz uso de técnicas do Spider…

…E das artes marciais

Ele canta

E dança!

Agrega valor no camarote

Não se esquece dos amigos

Muito menos das amigas


 

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Atlético-MG, Cruzeiro, Libertadores, Mineirão, PLACAR, Ronaldinho

Isto é Kalil

A edição de dezembro da revista PLACAR, que chega às bancas nesta sexta-feira, traz um perfil de Alexandre Kalil. Durante a entrevista, além de falar sobre Mundial de Clubes e Libertadores, o dirigente tocou em vários assuntos, incluindo os planos para seu último ano de mandato à frente do Atlético:

CRUZEIRO CAMPEÃO BRASILEIRO

Infelizmente, desgraçadamente, tristemente, eu não senti nada quando o Cruzeiro foi campeão brasileiro. Depois da Libertadores, eu esqueci que o Cruzeiro existe. Isso é um desastre íntimo para mim. E o Cruzeiro só foi campeão brasileiro porque o Atlético ganhou a Libertadores. Eles ficaram com ódio da festa que a gente fez na cidade. No fim do ano, vamos virar pra eles [cruzeirenses] e dizer: “Nós somos campeões do mundo”.

EXTINÇÃO DO DEPARTAMENTO DE MARKETING

Marketing no futebol é bola dentro da casa. Se a bola entrar naquela casinha, você vende até Modess pra homem. É só colocar o escudo do Atlético. O departamento de marketing tinha 18 pessoas, dava um prejuízo de 4 milhões de reais por ano. Não foi desmanchado porque eu acho feio e bobo, não. Marketing, pra mim, é aquela página de jornal [anúncio comprado depois do título do Cruzeiro]. Porque isso alegra a torcida.

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MARKETING DO RIVAL

O marketing do Cruzeiro trouxe o Júlio Baptista dentro de um carro forte e ele acabou o Campeonato Brasileiro no banco. O que você faz com um marketing desses? Tem que matar o filho da p… que fez isso.

PROGRAMA DE SÓCIO-TORCEDOR

O Cruzeiro está com um elefante branco na mão [Mineirão]. Vai ter que vender ingresso a preço de banana e botar sócio-torcedor pra dentro, senão não vai encher. Aquilo lá vai falir. Essa é a realidade do sócio-torcedor. Ou você acha que eu não tenho fila pra ter sócio-torcedor aqui no Atlético?

MINEIRÃO x INDEPENDÊNCIA

Eu jogo no Mineirão a hora que eu quiser, por edital. No Independência, o Cruzeiro só joga se eu deixar. No Mineirão mando eu também, igualzinho ao Cruzeiro. Eu estou aberto a negócio [com a Minas Arena]. Desde que não seja negócio indecente. O edital já era ruim. Mas o contrato que eles fizeram é ainda pior. Então, eu prefiro o edital.

ESTÁDIO PRÓPRIO PARA O GALO

Nós [da diretoria] temos conversado e muito sobre isso. Vieram me procurar, sabendo do potencial da torcida do Atlético, para um projeto de estádio em BH. Mas na minha gestão não dá mais tempo. Quero bolar um projeto e deixar para o próximo presidente fazer.

OUTRAS MODALIDADES NO CLUBE

Acabei com tudo quando assumi, porque era torneira aberta por todo lado [foi diretor de vôlei na época da gestão do pai, Elias Kalil]. Outro dia eu estava caminhando pela praia de Copacabana e vi lá: “Campeonato Mundial de Beach Soccer. Entrada gratuita”. Nem se me pagar eu entro pra assistir essa chatura. A Globo inventa essas merdas pra ter notícia e enfiar na gente domingo de manhã. Ninguém quer ver, porque basquete é horrível, vôlei é uma merda.

Breiller e Kalil

RONALDINHO LIGHT?

Ele gosta de bola. Tem uma pelada nas folgas. De futevôlei. ‘Ah, é churrasco, mulher, puta…’ Não, senhor! O que ele tem é uma turma de futevôlei na quadra de casa.

A ESTÁTUA PROMETIDA

Isso é conversa de Ronaldinho. Deixa ele cobrar. Eu ia imaginar que seria campeão da Libertadores? Prometi um monte de coisa que não cumpri. Quem merece estátua aqui, já tem.

O BICHO PAGO AO RONALDINHO É MAIOR QUE O DO RESTANTE DO ELENCO?

Sobre isso eu não entro em detalhes. Se quiser, ele pode falar. Mas o Ronaldinho não tem um privilégio que o Lucas Cândido não tenha no Atlético. E outra: o Ronaldinho não liga pra salário, em dia ou não. Isso é uma grande bobagem.

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ARBITRAGEM BRASILEIRA

Tá excelente, porque se eu falar qualquer coisa vão me roubar. Então deixa do jeito que tá. Na Copa do Brasil foi um escândalo. Eu protocolo uma carta contra um árbitro de Goiás, ele faz aquilo que fez no jogo contra o Botafogo e é premiado na outra rodada para apitar Flamengo x Corinthians. Peraí! Isso é bater na cara da gente. Eu tô calmo, tô bonitinho, tô beleza, mas não vem bater na minha cara, não, uai.

HOMEM DE APENAS UM REMORSO

Só me arrependo de uma coisa no futebol até hoje. No dia em que eu critiquei o Super Nosso [propondo boicote da torcida depois da apresentação do cruzeirense Dedé]. Peço desculpas, porque o supermercado fica do lado da minha casa e agora eu não posso mais fazer compras lá.

Essas e outras frases de Kalil, na PLACAR de dezembro.

 


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Atlético-MG, Libertadores, Ronaldinho

O Galo dos milagres

Superstição é uma palavra sagrada para o Atlético. 13 é o número do Galo. E, há 13 anos, o clube não disputava a Libertadores. Estreou com o pé direito justamente em 13 de fevereiro, vencendo o São Paulo por 2 x 1. O palco era o Independência, onde o time seguiu invicto e que também tem 13 letras. Muito tempo atrás, o ilustre alvinegro Roberto Drummond já havia eternizado a máxima de que ser atleticano é “torcer contra o vento”. Mas, dessa vez, os ventos conspiravam para que 2013 se convertesse, de fato, no ano do Galo.

Não importava o passado: time que encantava, mas não levava, time que perdia no apito, time sem sorte. Não importava a uruca que parecia engolir de cabo a rabo as equipes regidas sob a batuta de Cuca: técnico azarado, técnico sem pulso, técnico que não ganhava. Tudo isso ficou para trás. Era hora de reescrever a história do Atlético. E, na primeira fase, com os endiabrados Ronaldinho Gaúcho, Bernard, Tardelli e Jô, artilheiro do torneio, com 7 gols, uma campanha quase perfeita do melhor time brasileiro na Libertadores deu o pontapé inicial da arrancada.

Novamente pelo caminho estava o São Paulo, de cara, nas oitavas. A única derrota até então, no último jogo da fase de grupos, foi marcada por uma declaração forte de Ronaldinho. “Isso aqui foi só um treino. Quando tá valendo, tá valendo.” O craque tinha razão. Tanto no Morumbi quanto no Independência, o Galo aniquilou o tricolor paulista, fechando com uma goleada por 4 x 1. Afinal, “caiu no Horto, tá morto”, dizia o lema da massa atleticana, que usou máscaras da morte para assombrar o Tijuana no jogo de volta das quartas de final.

Sem inspiração, o Galo tomou sufoco dos mexicanos e viu o primeiro milagre salvá-lo da degola. Victor defendeu o pênalti de Riascos aos 48 minutos do segundo tempo, levando a torcida ao delírio e o time à semifinal. Nesse dia, o Atlético começou a acreditar em santos e, principalmente, que podia ser campeão, contrariando todos os prognósticos. Diante do Newell’s Old Boys, jogo de ida na Argentina, tudo parecia acabado outra vez, com 2 x 0 de vantagem para os rivais. Devoto de Nossa Senhora Aparecida, Cuca se apegou à fé e à mística do Horto para confiar até o fim na virada em Belo Horizonte.

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Na volta, Bernard logo abriu o placar, mas, até um apagão cair dos céus no estádio, a Libertadores estava perdida. Até que Cuca resolveu colocar em campo o desacreditado Guilherme, que, com um chutaço de fora da área, marcou o gol salvador que levou o jogo para os pênaltis. Ali, o goleiro, abençoado pelo terço arremessado por um torcedor no gramado, intercedeu com mais uma obra divina. Mesmo depois de dois erros atleticanos nas cobranças, ele pegou o pênalti de Maxi Rodríguez e garantiu a vaga na finalíssima. Nas arquibancadas do Independência, a torcida alvinegra canonizou um novo santo brasileiro: São Victor.

Com a graça alcançada, muitos poderiam imaginar que a cota de milagres do Galo havia se esgotado. Ainda mais com um novo 2 x 0 no jogo de ida, agora para o Olimpia, tricampeão continental, com um gol de falta no último lance da partida. Cruel, porém a fé de Cuca e dos quase 60 000 torcedores que lotaram o Mineirão permanecia inabalável. O amuleto cultivado pelo técnico contra o mau agouro estava no vestiário minutos antes da decisão: a bola defendida pelo pé esquerdo de Victor diante do Tijuana. Mas o Atlético precisava de mais de uma bola para virar o jogo. Precisava de no mínimo dois gols e toda a sorte do mundo.

A penitência durou um tempo inteiro.  No primeiro minuto da segunda etapa, após falha de Pittoni, a bola sobrou limpa para o artilheiro Jô tirar a agonia dos atleticanos da garganta. O santo forte, entretanto, fraquejou quando Ferreyra passou por Victor e, com o gol aberto, escorregou antes de executar o disparo que seria fatal. Cinco minutos depois, aos 41, Bernard descolou um cruzamento milimétrico para Leonardo Silva se redimir de todos os seus pecados ao marcar de cabeça. Explosão e crença renovada no Mineirão. Com o empate na prorrogação, restou a São Victor parar a primeira cobrança de pênalti de Miranda com seu pé esquerdo abençoado e secar o chute derradeiro de Giménez, que morreu na trave.

Mais um milagre aconteceu. Nada é impossível para aqueles que creem no Galo, como Bernard e sua incrível profecia. “Este é o ano do Galo, podem apostar”, foram as primeiras palavras do baixinho em 2013. O clube de uma torcida apaixonada, devota, que tem o manto preto e branco como religião, não merecia ficar tanto tempo sem um título de expressão. Justiça seja feita: o Atlético campeão da América é uma benção dos deuses do futebol.


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Atlético-MG, Ronaldinho

Ronaldinho espeta Flamengo e elege CT do Atlético como motor de seu renascimento: “Dá gosto de treinar”

Ronaldinho anda muito benquisto. Não só pela torcida atleticana, que o alçou à condição de ídolo num piscar de olhos. Aonde chega, o craque faz roda com a boleirada.

Na cerimônia de entrega da Bola de Prata PLACAR, embora tenha ficado distante da trupe mineira composta pelos companheiros Leonardo Silva, Réver, Marcos Rocha e Bernard, o astro de boina, camisetão estampado e estilo irreverente era a grande atração.

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Seja cortejado por Neymar e Lucas ou cercado por Zé Roberto e Fred, com quem se comunica frequentemente para pegar dicas de bons restaurantes em Belo Horizonte, Ronaldinho comanda as resenhas com o sorriso cheio de dentes peculiar, que andava encovado nos tempos turbulentos da Gávea.

Zé Roberto e Ronaldinho não se desgrudavam. Durante a sessão de fotos para PLACAR, o atleticano azucrinou o ex-companheiro de seleção. “Zé, esse não é seu lado bom pra foto.” Meio sem jeito, o gremista passa a Bola de Prata para o braço esquerdo e faz outra pose. “Aí, Zé, agora sim. Seu lado bom é a canhota.”

Dono do pedaço, o meia do Atlético não mediu palavras nem mesmo para cornetar o buffet requintado da festa, que ia dos canapés de carpaccio ao ravióli de cordeio. “Meu irmão, jogador vem de favela, não come essas paradas, não!”, reclamou. “Cadê a coxinha, a empadinha, o pastel frito? É duro passar fome no primeiro dia de férias.”

Mas Ronaldinho não se queixa da vida que leva em BH nem mesmo das polêmicas do apito que acompanharam o time alvinegro durante o Brasileirão. Renovou contrato com o Atlético e pretende usufruir das benesses da Cidade do Galo por pelo menos mais um ano.

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Em entrevista ao blog, porém, ele deixa escapar alfinetadas ao ex-clube pelo qual, implicativamente, havia perdido o gosto de jogar e treinar.

No Flamengo, você foi criticado por se omitir em jogos importantes. Já no Atlético, o panorama mudou, e você se tornou protagonista em partidas-chave, como nos clássicos contra o Cruzeiro e diante do Fluminense…
É nessas horas que, pô, todo mundo diz: nos grandes jogos, a gente vê quem é quem. Por ser um dos mais velhos da equipe e ter de criar as jogadas, eu procurei chamar a responsabilidade e levar todo mundo junto.

Muita gente duvidou de que você voltaria a jogar em alto nível. As desconfianças serviram de motivação?
Ah, cara, eu gosto disso. É um incentivo a mais. As dificuldades me inspiram a buscar algo novo.

Você é movido por críticas, então?
Eu sempre fui assim. Se alguém falar de mim, mexe com meu brio. Se alguém me chutar, mexe com meu brio. Se alguém me empurrar, mexe comigo. Quando eu saí do Flamengo, falaram muita coisa, muita besteira a meu respeito. E eu consegui mostrar no Galo que estou bem, que continuo sendo decisivo e um dos melhores dos campeonatos nacionais.

O que mudou do Ronaldinho do Flamengo para o Ronaldinho do Atlético?
No Flamengo, nós também tínhamos um grupo bom, mas com uma estrutura completamente diferente. No Atlético, a estrutura faz com que um jogador machucado volte a jogar logo. O clube nos dá condições de manter um grupo de trabalho durante todo o ano. Dá gosto de treinar.

A estrutura do Atlético fez diferença na retomada de seu bom futebol, que resultou na conquista de sua primeira Bola de Ouro PLACAR?
Toda a diferença. Temos as melhores condições para trabalhar, fazer uma boa preparação, ter vontade de treinar, num bom centro de treinamento, num bom campo. Tudo isso influencia muito no resultado final. Quando recebo um prêmio como esse [Bola de Ouro] e paro para analisar o porquê disso, penso em todos esses detalhes que o Atlético me ofereceu.

Os erros de arbitragem tiraram o título brasileiro do Atlético?
Não gosto de falar sobre isso. Se tivessem errado a meu favor, eu não reclamaria. Agora, só porque foi contra mim, eu vou reclamar? Erros acontecem, coincidências existem. Méritos do Fluminense. Os caras fizeram uma campanha fora do normal. O que nos resta é pensar em melhorar a equipe para o próximo ano.

Atlético-MG, Ronaldinho

Um “problema” chamado Ronaldinho

Pouco mais de um ano depois daquele jogo épico que terminou com vitória do Flamengo por 5 x 4 em cima do Santos, de virada, na Vila Belmiro, Ronaldinho Gaúcho voltou a receber nota 9,5 na Bola de Prata PLACAR.

BELO HORIZONTE/ MINAS GERAIS / BRASIL  (06.10.2012) Atlético x Figueirense - no Estádio Arena Independência - Campeonato Brasileiro 2012

Assim como na partida pelo time rubro-negro, o meia marcou três gols contra o Figueirense e foi o maestro do Atlético na goleada de 6 x 0 do último sábado. Ainda deu duas assistências, uma delas após arrancada do campo de defesa, digna dos tempos áureos de sua carreira na Europa.

Embora também tenha repetido a genialidade da cobrança de falta por baixo da barreira no Independência, Ronaldinho jogou ainda mais do que em sua exibição de gala na Vila Belmiro. Merecia nota 10? Não fosse a fragilidade do adversário, um atordoado Figueirense, vice-lanterna do Brasileiro, o camisa 49 teria levado nota máxima na Bola de Prata – pelo Flamengo, Ronaldinho fez sua melhor partida fora de casa, contra o Santos de Ganso e Neymar.

O torcedor rubro-negro que hoje vê seu ex-camisa 10 brilhar no Atlético, não só em jogos esporádicos, mas numa sequência convincente de boas atuações, deve coçar a cabeça tentando entender o que motivou a transformação do jogador. Na verdade, a mudança é circunstancial, mais relevante que o empenho de Ronaldinho por si só.

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O meia saiu escorraçado do Flamengo. Cobrou salários atrasados, colecionou faltas e atrasos a treinos, perdeu a motivação e entrou na Justiça contra o clube, que culpou o astro pelo desfecho melancólico de contrato.

Seu ressurgimento no Atlético prova que, apesar de ter pisado fora da linha na Gávea, a desorganização e falta de estrutura do time carioca contribuíram em boa parcela para o declínio de seu futebol.

A cada gol pelo Galo, Ronaldinho atesta que continua sendo um problema. Só para o Flamengo.

Atlético-MG, Ronaldinho

Daniel Nepomuceno, o candidato da massa atleticana?

Alexandre Kalil leva ao pé da letra a simpática alcunha popular que define a torcida do clube que dirige: “Massa do Galo”. É como os atleticanos se autointitulam.

Para “mexer” com sua massa, Kalil publicou vídeo na página oficial do Atlético no Facebook convocando a torcida alvinegra a “mostrar sua força” e pediu votos para o vice-presidente do clube, Daniel Nepomuceno (PSB), nas eleições municipais do próximo domingo.

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Daniel Nepomuceno (à esq.) entrega honraria a Ronaldinho, ponto alto de seu mandato como vereador

Como presidente do Galo, Kalil tem direito de apoiar quem quiser, ser cabo eleitoral do candidato que bem entender, embora os poucos oposicionistas que tem no Conselho o critiquem por partidarizar a diretoria atleticana com aliados do governo mineiro e da prefeitura.

O que fica nas entrelinhas, no entanto, sempre que clubes de futebol se transformam em palanques, é a suposta ideia de que o político indicado trabalhará de acordo com os interesses do time que o apadrinha na esfera pública.

Primeiramente, quem usa seu voto com a intenção (ou a ilusão) de beneficiar o próprio clube não é torcedor, mas sim tão oportunista e comodista quanto políticos que dependem da paixão pelo futebol para se eleger. Some-se a isso o fato de dirigentes e cartolas serem figuras clubísticas, alheias, na maioria dos casos, ao interesse público.

Em 1994 e 1998, o ex-presidente do Vasco, Eurico Miranda, elegeu-se deputado federal pelo Rio de Janeiro com votações expressivas, sob o argumento de que defenderia o clube de São Januário no Congresso. Não fez nada nem pelo Vasco nem pelo povo. Dois mandatos desperdiçados pelo incauto “voto-torcedor”.

O candidato de Kalil tenta renovar seu mandato na Câmara Municipal de Belo Horizonte, onde caiu de paraquedas em 2010, quando assumiu a cadeira de vereador como suplente no lugar do cassado Wellington Magalhães (PMN).

De acordo com ranking divulgado pela VEJA BH há duas semanas, Daniel Nepomuceno aparece entre os seis piores vereadores da capital. Foi campeão em um dos quesitos: menor média de assiduidade na Câmara. Compareceu a apenas 17% das sessões plenárias.

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Ainda registrou uma das maiores evoluções de patrimônio entre os candidatos avaliados (341%) – não por acaso foi inicialmente favorável à proposta de aumento salarial de 61,8% para os vereadores – e ganhou nota zero no quesito “fiscalização e controle” – não cumpriu o papel de policiar o poder público que, coincidência ou não, está nas mãos do prefeito Márcio Lacerda, candidato de seu partido à reeleição.

Fez algo pelo Galo? Fez. Concedeu o título de cidadão honorário a Ronaldinho Gaúcho em solenidade na Câmara em julho. Jogou para a torcida e agora quer colher os frutos nas urnas.

Com Ronaldinho e companhia, o torcedor atleticano tem sido bem representado nos gramados. Não se pode dizer o mesmo, entretanto, na eleição deste ano.

Atlético-MG, Ronaldinho

No “reencontro pela razão” entre Fla e Ronaldinho, o Galo só tem a perder

A pilha de Ronaldinho Gaúcho às vésperas de entrar campo hoje à noite contra seu ex-clube é latente, tal qual o embate com o Grêmio no primeiro turno, quando o meia, formado na base do tricolor gaúcho, disparou palavrões no vestiário após a vitória do Atlético por 1 x 0.

“Chegando lá [no Rio de Janeiro], contra o Flamengo, vai ser como foi contra o Grêmio. Agora eu sou rival”, disse Ronaldinho à PLACAR em agosto.

BELO HORIZONTE/ MINAS GERAIS / BRASIL  (23.09.2012) Atlético x Grêmio - no Estádio Arena Independência - Campeonato Brasileiro 2012

O “atenuante” de ser rival não diminui a mágoa pelo tratamento hostil que recebe de duas torcidas que outrora o idolatraram. Ronaldinho, apesar das inúmeras distinções individuais nos tempos de Barcelona e do título mundial com a seleção em 2002, não tem, como gostaria ou um dia imaginara ter, status de ídolo nacional – diferentemente de Ronaldo, ex-companheiro na trajetória do penta.

Pelo contrário. O craque angariou a antipatia de suas antigas casas no Brasil. Com a certeza de injustiçado, de quem detém o controle da razão. O chapéu que deu no Grêmio em meio ao leilão entre clubes que sonhavam repatriá-lo ou o fato de ter se esbaldado na noite e saído do Flamengo 20 dias após o clube lançar sua linha personalizada de produtos não seriam motivos suficientes para torná-lo persona non grata?

Ronaldinho amenizou. “Desde que eu cheguei ao Rio, sempre vivi e fiz tudo da mesma forma que fiquei sete meses sem perder e ajudei a levar o Flamengo para a Libertadores. Quando as coisas não saíram bem, inventaram um monte de coisa.”

O meia entende que deixou o Flamengo com saldo positivo. O irmão e empresário, Roberto Assis, que cobra 55 milhões de reais do clube carioca na justiça, parte da tese de que o clube rubro-negro só fechou acordo milionário com a Globo por causa da presença de Ronaldinho no time.

Meia cerebral do Galo, o jogador, hoje, é bem diferente do ponta preguiçoso que fazia figuração na Gávea em seus últimos meses de Rio de Janeiro. Ganhar ou perder não dá um “atestado de razão” a Ronaldinho ou Flamengo.

A única certeza é que o Atlético não ganha nada com a espetacularização do duelo com o então 14º colocado do Brasileiro.

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Bernard e Ronaldinho têm lugar na seleção? No time de Mano, não

O clamor popular, aquele que extirpou de Ronaldinho Gaúcho a distinção de craque após a saída truncada do Flamengo, agora reivindica uma vaga para o camisa 49 do Atlético na seleção brasileira.

Algo natural, já que, enquanto a seleção anda meio capenga, baqueada pelo trauma olímpico, Ronaldinho desfila categoria em terras mineiras. Contra o Palmeiras, o meia driblou, deu passe de letra e levantou a bola para Leonardo Silva abrir a contagem de 3 x 0 para o Galo.

Autor dos outros dois gols atleticanos, o serelepe Bernard, 20, também ganha adeptos na corrente dos selecionáveis. A dupla afinada do Galo pode ser reproduzida na seleção?

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Ronaldinho é um caso à parte. Já passou pela perícia de Mano Menezes, teve mais de uma chance, mas, inconstante no Flamengo, não convenceu. Fez pouco para o que se esperava dele, sobretudo como um líder da nova geração. Também não conta com a simpatia do presidente da CBF, José Maria Marin.

Em entrevista à revista PLACAR de setembro, Ronaldinho diz que não desistiu da seleção: “Meu objetivo é participar da Copa do Mundo de 2014. Se eu estiver bem no Galo, a seleção virá naturalmente.” Não é tão simples assim.

Para voltar a ter crédito com Mano, Ronaldinho, além de manter a curva ascendente no Atlético, terá de driblar a concorrência. Oscar é o dono da 10, um dos poucos que se salvam em meio ao futebol fosco da seleção.  Vaga encaminhada para 2014.

A ponta esquerda, posição em que Ronaldinho brilhou no Barcelona, também já está ocupada – ninguém tira Neymar de lá. A direita, indefinida entre Lucas e Hulk, não é a dele. Nem a de Bernard, que atua pela esquerda no Galo.

O dueto atleticano teria de se contentar, hoje, com a reserva na seleção de Mano, estruturada em um 4-2-3-1 muito semelhante ao do time mineiro. No caso de Ronaldinho, não é confortável para o técnico da seleção administrar um medalhão desse porte no banco.

Bernard ainda não foi testado. Assim como Romarinho, do Corinthians, desabrochou depois da reformulação. Por falta de tempo para maturação, pode ficar no vácuo da entressafra, a exemplo de Neymar e Ganso às vésperas da última Copa.

Sem espaço no esquema e nos planos de Mano, a boa fase dos craques do Galo corre distante da consagração com a camisa amarela.

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Ronaldinho não é mais aquele

Semana passada escrevi no blog que o Ronaldinho do Galo não é o Ronaldinho do Barcelona. Quem viu o clássico contra o Cruzeiro ontem há de chiar. No finzinho, ele arrancou, passou por dois e marcou um golaço quando o Atlético acabara de ficar com um homem a menos em campo, após a expulsão de Pierre.

Empolgados, atleticanos já comparam o lance às arrancadas devastadoras dos tempos áureos de Barça. Devagar com o andor. Hoje, aos 32 anos, Ronaldinho não tem a velocidade nem o arranque de cinco, seis anos atrás.

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No time espanhol, o meia jogava praticamente como um ponta-esquerda (função parecida com a que Bernard exerce no time de Cuca), passando por cima de marcadores do naipe de Sergio Ramos, John Terry, Maldini e Gattuso.

Embora esforçados, os cruzeirenses Leandro Guerreiro, Tinga, Lucas Silva, Léo e Mateus estão longe de figurar na lista dos melhores marcadores do país. Ainda assim, em boa parte do clássico, Ronaldinho encolheu-se em meio ao cerco do quinteto. E foi decisivo. Por quê?

Justamente por não ser mais o Ronaldinho do Barcelona. Longe da ponta e mais centralizado, o camisa 49 faz hoje as vezes do meia de ligação. As jogadas de ataque passam sempre por seus pés. Obrigado a arriscar enfiadas e lançamentos, naturalmente acaba errando mais.

Quando bem marcado, aparece menos, mas abre espaço para Bernard e Júnior César. E pode decidir jogos em um insight. Diante do Cruzeiro, no primeiro tempo, achou Danilinho, que, sozinho, desperdiçou grande chance de cabeça. No segundo, uma pintura de gol.

No fim das contas, o empate caiu bem para o “projeto-título” do Galo. A coroação extrema de Ronaldinho, com um sarrafo de virada no rival, entupiria o barril das expectativas. Foi assim que se desenhou o fim da lua de mel entre o craque e os rubro-negros, que esperavam dele, em todos os jogos, o showman dos tempos de Barcelona.

Ronaldinho não decide nem vai decidir todas para o Atlético. A cobrança deve ser proporcional ao que ele tem a oferecer no presente. Um belo cartel, sem dúvidas, porém bem menos farto que a supervalorização que insiste em amarrá-lo ao passado de melhor do mundo.