Cruzeiro, Mineirão

O churrasco que mudou o destino de Alex

Em uma carta escrita ao ótimo blog Trem Azul, do ESPN FC, o ex-meia Alex relembra um dos episódios mais frustrantes de sua carreira: a dispensa do Cruzeiro, em 2001.

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“Para ‘ajudar’, o Cruzeiro espera até o último dia de férias para, num gesto covarde, o mais covarde que sofri no futebol, me mandar embora pelo telefone. Sem ao menos me dar o direito de pegar minhas coisas e me despedir dos companheiros”, contou o agora comentarista da ESPN Brasil, que fará um jogo de despedida com a camisa celeste neste sábado, no Mineirão.

O que pouca gente sabe é que um churrasco na concentração do Palmeiras, alguns meses antes desse episódio, e a preferência de um treinador rancoroso por outro camisa 10 teriam sido os verdadeiros motivos da demissão de Alex.

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Foi o próprio ex-jogador quem revelou sua versão da história à PLACAR , em 2013, quando ainda defendia o Coritiba. Uma ironia do destino que, nas palavras de Alex, acabou sendo decisiva para sua volta ao clube estrelado e para o seu “melhor ano”:

“O único problema que eu tive com treinador no Brasil foi com o Marco Aurélio, no Cruzeiro. O Marco tinha sido meu treinador no Palmeiras, no começo de 2001. Quando eu saí do Flamengo e voltei para o Palmeiras, ele não me queria. Queria o Adrianinho, da Ponte Preta, que também era camisa 10 e tinha sido atleta dele. Como eu havia jogado no Palmeiras seis meses antes, e o Palmeiras ganhou tudo, o Mustafá [Contursi, ex-presidente] bancou minha volta e passou por cima do Marco, que acabou ficando pouco tempo no clube.

Ele saiu com o sentimento de que Argel, Galeano, Marcão e eu o derrubamos. Teve um treino em Jarinu e, depois da atividade, fizemos um churrasco. Veio a notícia de que o Marco Aurélio tinha caído. Mas o churrasco continuou… Não tinha motivo pra não continuar. E ele entendeu que nós quatro pedimos a cabeça dele ao Mustafá. Eu conversei com o Mustafá quatro vezes na minha vida. Todas as quatro para assinar contrato com o Palmeiras. Depois, nunca mais o vi. Dos presidentes de clube que eu tive, foi o que eu menos encontrei. O que Marco imaginou não tinha lógica.

Passaram-se seis meses e eu fui para o Cruzeiro, contratado pelo Carpegiani. Ele caiu, veio o Ivo Wortmann, que também caiu. E depois, veio quem? O Marco Aurélio. O último jogo do Brasileiro seria contra o Inter, para cumprir tabela. O Marco disse pra eu sair de férias, disse que contava comigo para a próxima temporada. Maravilha. No embarque para a reapresentação, toca o meu telefone e o meu advogado falou assim: ‘Alex, não vai pra Minas porque o Cruzeiro te mandou embora. Não querem nem que você se reapresente’. Depois, o Eduardo Maluf [ex-diretor de futebol] me disse que o pessoal tinha feito uma reunião e chegou à conclusão de que não contaria mais comigo. E não quis nem me receber para rescindir o contrato.

 

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Alex comemora gol com Luxemburgo em 2003. Técnico bancou seu retorno à Toca

Não falei com o Marco, nem com os Perrellas. Mas, para mim, quem me mandou embora foi o Marco [No fim do ano passado, o técnico, que atualmente está sem clube, afirmou que não teve influência na demissão de Alex]. Só voltei ao Cruzeiro em 2002 porque o [Vanderlei] Luxemburgo era o treinador. Foi ele quem me bancou. Eu saí fritado do clube. Ninguém me queria de volta. Nem torcedor, nem diretoria. Só o Luxemburgo. Acabou que a temporada seguinte foi uma das mais vitoriosas da minha carreira e a que eu mais joguei bola. Na Turquia, eu joguei muito. Mas, de lembrança para o torcedor brasileiro, 2003 foi meu melhor ano.”

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“Minha história no Cruzeiro não me permite jogar no Atlético”, diz Alex


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Mineirão

Para apagar reverência à ditadura, Mineirão pode mudar de nome este ano

Por Breiller Pires

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Em setembro, o Mineirão celebrará os 50 anos de sua inauguração. Em março, a redemocratização do Brasil atingiu a marca de três décadas. O elo entre as duas datas é paradoxal e, em um primeiro momento, pode passar despercebido.

O nome oficial do estádio é Governador Magalhães Pinto, uma homenagem ao ex-governante de Minas Gerais. Apoiador do golpe militar de 1964, ele foi responsável por articular no estado a derrubada do então presidente João Goulart e, quatro anos depois, ajudou a instituir o AI-5, que cerceou praticamente todas as liberdades políticas e individuais que ainda restavam no auge da opressão.

À frente do governo mineiro, Magalhães Pinto já havia dado uma prévia de como seria a ditadura no país. Em 1963, militares do estado reprimiram duramente uma manifestação de operários da Usiminas, em Ipatinga. A ação deixou em torno de 30 mortos – incluindo um bebê que estava no colo da mãe – e centenas de feridos.

Como forma de reparar a reverência a sua figura, um projeto de lei do deputado estadual Paulo Lamac pretende substituir o nome do estádio por apenas “Mineirão”, seguindo as diretrizes do relatório divulgado pela Comissão Nacional da Verdade em dezembro do ano passado. O documento cita Magalhães Pinto como um dos executores de crimes às vésperas e durante a ditadura.

Estádio homenageia ex-governador do “Massacre de Ipatinga” | Crédito: Pedro Silveira

Existe a expectativa de que a proposta seja aprovada na Assembleia estadual ainda este ano devido à mobilização pelo cinquentenário do estádio. “É preciso educar e conscientizar os cidadãos sobre uma passagem da história brasileira que violou direitos humanos mais básicos. Mudar o nome do Mineirão será um marco simbólico. Sobretudo nesse período em que muita gente ignora valores democráticos e pede a volta da ditadura”, diz Lamac.

Reinaldo, maior artilheiro do Mineirão e opositor do regime militar quando jogador, apoia a mudança de nome do estádio. “Uma praça esportiva como o Mineirão, que é um bem público, deveria reverenciar gente do futebol, não políticos da ditadura.” Nos anos 70, ele tornou célebre o gesto do punho erguido ao comemorar seus gols em protesto contra as arbitrariedades do governo. “Quem pede a volta da ditadura não sentiu na pele o que eu sofri.”

O projeto está em tramitação desde 2013. No início deste ano, o Ministério Público Federal recomendou urgência na apreciação da proposta pelos parlamentares. Relator da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia, o deputado João Alberto é o encarregado de colocar a matéria em votação. Ele não atendeu as ligações de PLACAR.

Em caso de êxito, o Mineirão será o primeiro dos dez estádios brasileiros que homenageiam nomes ligados à ditadura a romper com as amarras de um passado perverso. Rebatizar o maior palco do futebol de Minas Gerais como os mineiros afetuosamente o apelidaram é um presente à altura de seus 50 anos e de sua verdadeira história.

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Atlético-MG, Cruzeiro, Mineirão

Crime e castigo

Me desculpe, atleticano. Me desculpe, cruzeirense. Mas tenho de ser franco com você. Aliás, tendo a ser pouco complacente com esse hábito secular de transferir responsabilidades. Na política funciona assim.

Se o país vai mal, culpa dos políticos. Acobertamos nossos pequenos desvios do dia a dia, mas nos revoltamos com a corrupção de quem comanda, legisla ou governa. Reclamamos da falta de propostas nos debates eleitorais, mas não nos importamos em descer o nível nas conversas de boteco ou nas redes sociais, divagando entre o suposto vício alheio e a Intentona Neocomunista.

Representantes, públicos ou não, se espelham e balizam seu comportamento em nossas atitudes. Cartolas de futebol agem da mesma maneira. O que os presidentes Alexandre Kalil e Gilvan de Pinho Tavares fizeram com a maior decisão de todos os tempos entre Atlético e Cruzeiro é um crime, um profundo desrespeito com os mineiros que amam futebol.

Preços abusivos nos dois jogos, total descompromisso com o espetáculo, a falta de bom senso de ambas as partes nas negociações. Independentemente do vencedor, o clássico dos clássicos está manchado por dirigentes que se comportam como torcedores.

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Por isso, a culpa é sua, torcedor. O futebol no Brasil está longe de ser profissional. Empresários bem sucedidos que se aventuram pela presidência de clubes metem os pés pelas mãos, movidos por paixão, assim como você.

Você, atleticano, que vibrou com cada declaração estúpida e populista de Kalil antes do primeiro jogo da final. Você, cruzeirense, que comemorou como um gol do Marcelo Moreno o troco de Gilvan ao inflar o ingresso do adversário ao valor estapafúrdio de 1.000 reais.

Você, que deixa seu time em segundo plano para torcer por dirigente, por torcida organizada ou apenas pelo fracasso do rival. Que engole bravatas, se cala diante do descontrole da cartolagem e não cobra que sócios tenham direito a voto no clube, mas agora está indignado por ter ficado fora da festa.

A eleição não dividiu o país. Mas a final da Copa do Brasil rachou Minas Gerais. Entre dirigentes com fama de espertos e torcedores com cara de palhaço.


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Atlético-MG, Cruzeiro, Mineirão

O Brasil se curva a Minas. Bairrismo de quem?

Pela primeira vez, Atlético e Cruzeiro decidem um título nacional. Não só pela final da Copa do Brasil, mas também pelas campanhas notáveis nos últimos dois anos, os gigantes mineiros estão na vanguarda do futebol brasileiro.

E o reconhecimento vem de todos os cantos do país. Imprensa e dirigentes de outros estados têm destacado o planejamento, a estrutura, os CT’s de grife internacional, a eficiência e a garra dos times de Minas Gerais, que hoje são exemplos para muitos clubes.

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Na semifinal, o Cruzeiro sofreu com um gol anulado no primeiro jogo e, em Santos, com a marcação de um pênalti questionável. Ignorou erros de arbitragem, evitou a vitimização e se impôs para garantir uma classificação dramática.

Já o Atlético superou o trauma de eliminações – no apito e na bola – para o Flamengo. Em vez de queixar-se do pênalti e de uma não expulsão rubro-negra no Maracanã, o time alvinegro se mobilizou para carimbar em sua história mais uma virada heroica, repetindo o roteiro de três semanas atrás diante do Corinthians.

Cruzeiro e Atlético em uma final de Copa do Brasil serve para exorcizar um fantasma que assombra o torcedor mineiro: o eixo Rio-São Paulo, o “eixo do mal”. Resquícios de um tempo em que árbitros de fato pendiam para paulistas ou cariocas alimentaram ao longo de quase uma década a desculpa dos cartolas mineiros para a seca de títulos importantes no cenário nacional.

Endossados pela ala condescendente e provinciana da imprensa mineira, que usa de hipocrisia para negligenciar interesses comerciais dos meios de comunicação e só enxerga o bairrismo dos outros, dirigentes de Minas se habituaram a mascarar os próprios erros para vender teorias conspiratórias como engodo à desilusão dos torcedores. Como se capas de jornais ganhassem jogos.

Em 2011, a dupla afundou de mãos dadas. Flertou com o rebaixamento durante boa parte do Brasileiro. O clube celeste só escapou na última rodada com o 6 x 1 sobre o rival. Um fim de temporada melancólico para o futebol mineiro.

Naquela época, a desculpa não era a incompetência de um Atlético que contratava a granel ou de um presidente que havia abandonado o Cruzeiro em favor do Senado, mas sim o conluio da CBF com o “eixo do mal” que, além do apito-amigo, havia deixado os mineiros sem casa por causa da Copa do Mundo – como se ambos não tivessem se curvado à resolução do governo estadual que interditou os dois estádios da capital ao mesmo tempo.

Três anos depois, Cruzeiro e Atlético agora contam com dois estádios modernos e antológicos como trunfo. Ganharam Libertadores e Brasileiro. Deixaram de embarcar na falácia da conspiração, do “nós contra o resto”, da rivalidade de comparação que só os empurrava para baixo. Passaram a olhar para dentro, a reconhecer e corrigir as falhas. Passaram a pensar como times grandes.

A final mineira é um presente ao bom futebol, à vocação de Minas ao protagonismo. E também uma pá de cal sobre o bairrismo às avessas que por pouco não enterrou atleticanos e cruzeirenses no campo das lamentações.


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Atlético-MG, Cruzeiro, Libertadores, Mineirão, PLACAR, Ronaldinho

Isto é Kalil

A edição de dezembro da revista PLACAR, que chega às bancas nesta sexta-feira, traz um perfil de Alexandre Kalil. Durante a entrevista, além de falar sobre Mundial de Clubes e Libertadores, o dirigente tocou em vários assuntos, incluindo os planos para seu último ano de mandato à frente do Atlético:

CRUZEIRO CAMPEÃO BRASILEIRO

Infelizmente, desgraçadamente, tristemente, eu não senti nada quando o Cruzeiro foi campeão brasileiro. Depois da Libertadores, eu esqueci que o Cruzeiro existe. Isso é um desastre íntimo para mim. E o Cruzeiro só foi campeão brasileiro porque o Atlético ganhou a Libertadores. Eles ficaram com ódio da festa que a gente fez na cidade. No fim do ano, vamos virar pra eles [cruzeirenses] e dizer: “Nós somos campeões do mundo”.

EXTINÇÃO DO DEPARTAMENTO DE MARKETING

Marketing no futebol é bola dentro da casa. Se a bola entrar naquela casinha, você vende até Modess pra homem. É só colocar o escudo do Atlético. O departamento de marketing tinha 18 pessoas, dava um prejuízo de 4 milhões de reais por ano. Não foi desmanchado porque eu acho feio e bobo, não. Marketing, pra mim, é aquela página de jornal [anúncio comprado depois do título do Cruzeiro]. Porque isso alegra a torcida.

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MARKETING DO RIVAL

O marketing do Cruzeiro trouxe o Júlio Baptista dentro de um carro forte e ele acabou o Campeonato Brasileiro no banco. O que você faz com um marketing desses? Tem que matar o filho da p… que fez isso.

PROGRAMA DE SÓCIO-TORCEDOR

O Cruzeiro está com um elefante branco na mão [Mineirão]. Vai ter que vender ingresso a preço de banana e botar sócio-torcedor pra dentro, senão não vai encher. Aquilo lá vai falir. Essa é a realidade do sócio-torcedor. Ou você acha que eu não tenho fila pra ter sócio-torcedor aqui no Atlético?

MINEIRÃO x INDEPENDÊNCIA

Eu jogo no Mineirão a hora que eu quiser, por edital. No Independência, o Cruzeiro só joga se eu deixar. No Mineirão mando eu também, igualzinho ao Cruzeiro. Eu estou aberto a negócio [com a Minas Arena]. Desde que não seja negócio indecente. O edital já era ruim. Mas o contrato que eles fizeram é ainda pior. Então, eu prefiro o edital.

ESTÁDIO PRÓPRIO PARA O GALO

Nós [da diretoria] temos conversado e muito sobre isso. Vieram me procurar, sabendo do potencial da torcida do Atlético, para um projeto de estádio em BH. Mas na minha gestão não dá mais tempo. Quero bolar um projeto e deixar para o próximo presidente fazer.

OUTRAS MODALIDADES NO CLUBE

Acabei com tudo quando assumi, porque era torneira aberta por todo lado [foi diretor de vôlei na época da gestão do pai, Elias Kalil]. Outro dia eu estava caminhando pela praia de Copacabana e vi lá: “Campeonato Mundial de Beach Soccer. Entrada gratuita”. Nem se me pagar eu entro pra assistir essa chatura. A Globo inventa essas merdas pra ter notícia e enfiar na gente domingo de manhã. Ninguém quer ver, porque basquete é horrível, vôlei é uma merda.

Breiller e Kalil

RONALDINHO LIGHT?

Ele gosta de bola. Tem uma pelada nas folgas. De futevôlei. ‘Ah, é churrasco, mulher, puta…’ Não, senhor! O que ele tem é uma turma de futevôlei na quadra de casa.

A ESTÁTUA PROMETIDA

Isso é conversa de Ronaldinho. Deixa ele cobrar. Eu ia imaginar que seria campeão da Libertadores? Prometi um monte de coisa que não cumpri. Quem merece estátua aqui, já tem.

O BICHO PAGO AO RONALDINHO É MAIOR QUE O DO RESTANTE DO ELENCO?

Sobre isso eu não entro em detalhes. Se quiser, ele pode falar. Mas o Ronaldinho não tem um privilégio que o Lucas Cândido não tenha no Atlético. E outra: o Ronaldinho não liga pra salário, em dia ou não. Isso é uma grande bobagem.

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ARBITRAGEM BRASILEIRA

Tá excelente, porque se eu falar qualquer coisa vão me roubar. Então deixa do jeito que tá. Na Copa do Brasil foi um escândalo. Eu protocolo uma carta contra um árbitro de Goiás, ele faz aquilo que fez no jogo contra o Botafogo e é premiado na outra rodada para apitar Flamengo x Corinthians. Peraí! Isso é bater na cara da gente. Eu tô calmo, tô bonitinho, tô beleza, mas não vem bater na minha cara, não, uai.

HOMEM DE APENAS UM REMORSO

Só me arrependo de uma coisa no futebol até hoje. No dia em que eu critiquei o Super Nosso [propondo boicote da torcida depois da apresentação do cruzeirense Dedé]. Peço desculpas, porque o supermercado fica do lado da minha casa e agora eu não posso mais fazer compras lá.

Essas e outras frases de Kalil, na PLACAR de dezembro.

 


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Cruzeiro, Mineirão, PLACAR

Cruzeiro arma o troco

Há vários motivos que explicam a reviravolta do Cruzeiro depois de um quase rebaixamento e uma temporada em que presenciou como coadjuvante a ascensão do Atlético, representante de Minas na Libertadores deste ano.

Volta ao Mineirão, venda de Montillo (que, além de ter turbinado o caixa para contratações, fez com que o time deixasse de ser dependente de um só jogador), novas possibilidades de receita, como a ampliação do programa de sócio-torcedor, planejamento, bom técnico, bom elenco…

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A edição de maio da revista PLACAR analisa as finanças e o futebol do clube, que, além das entrevistas com Éverton Ribeiro, Diego Souza e Dagoberto, conta com depoimentos do capitão Fábio e do técnico Marcelo Oliveira. Os argumentos da dupla para o bom começo de temporada são esclarecedores.

“Estou há oito anos aqui e nunca tinha vivido uma situação como aquela [no início de 2012], com salário atrasado. Foi difícil, mas em momento algum eu pensei em deixar o time. Conversei com os jogadores na época, pedi calma e disse que a fase ruim ia passar”, diz Fábio, lembrando a crise financeira do ano passado.

“Agora, vivemos outra realidade. O treinador [Marcelo Oliveira] teve tempo para indicar reforços e montar a equipe. Estamos no caminho certo.”

Já Marcelo Oliveira valoriza o empenho da cúpula celeste na incorporação de nomes de peso como Dedé ao clube.

“Eu expus minhas indicações e a diretoria fez um esforço enorme para correr atrás dos reforços. Contratamos bem e conseguimos formar um elenco forte. Concorrência no grupo faz com que o time renda seu máximo sempre. É por isso que faço questão de observar todas as atividades, todos os jogos-treino dos reservas. Quem está de fora precisa saber que terá oportunidade. Jogador bom nunca é demais para um time que quer ser campeão.”

O time ainda não deu uma prova sólida de que pode, de fato, retomar o caminho das grandes conquistas. Mas não há dúvidas de que as previsões para o resto do ano inspiram muito mais confiança que a equipe de Vágner Mancini ou Celso Roth.

Esse Cruzeiro versão 2013 é o objeto de análise da PLACAR que chega às bancas de todo o país a partir de amanhã.

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Cruzeiro, Mineirão

Uma questão de estrutura

No fim do ano passado, Ronaldinho já havia dito ao blog que a estrutura da Cidade do Galo estava diretamente relacionada à sua chegada ao Atlético e à subida de produção pós-Flamengo.

Agora é a vez de Diego Souza, principal contratação do Cruzeiro para esta temporada, se derreter pelas modernas instalações da Toca da Raposa II.

“Poder trabalhar em um clube bem estruturado faz uma diferença enorme. Se o Vasco tivesse a estrutura do Cruzeiro, teria conquistado mais títulos”, afirma o meia à PLACAR de março.

Diego Souza atacante do Cruzeiro

Na entrevista, o camisa 10 celeste também revela que a nova casa do Cruzeiro pesou na decisão de aceitar a proposta do clube.

“Com a volta do Mineirão, o torcedor fica mais próximo, enche o estádio. As outras equipes chegam com mais respeito.”

Diego ainda avalia que o pedido feito a Alexandre Kalil para sair do Atlético em 2011 foi “uma escolha fantástica”, devido ao período de ostracismo que vivia no banco do Galo. Entretanto, não deixou de exaltar a virtude que mais lhe chamou a atenção durante a passagem pelo rival.

“O Atlético é incrível, tem uma grande estrutura. O Cruzeiro, também. Poucos clubes no Brasil oferecem essa tranquilidade para o jogador trabalhar.”

Os discursos de Ronaldinho e Diego Souza já viraram clichês, é verdade, mas traduzem uma realidade comum aos dois maiores clubes de Minas.

Embora não tenham estádio próprio, tanto Cruzeiro quanto Atlético se dão ao luxo de seduzir craques e lutar de igual para igual com gigantes do futebol brasileiro na hora de contratar medalhões com um argumento que soa como música aos ouvidos de empresários e boleiros: “Sim, nós temos estrutura”.