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Prestes a completar três anos no comando do Cruzeiro, o presidente Gilvan de Pinho Tavares destaca o programa de sócios-torcedores, a base celeste e Marcelo Oliveira como os pontos altos de sua administração.

Ao blog, ele afirma que o elenco estrelado da Raposa se paga com estádio cheio e não compromete a política de austeridade econômica que prevê o caixa no azul a partir da próxima temporada. E não abre mão de um ideal que marcou seu conturbado início de gestão: “O Cruzeiro não pode ser uma feira de jogadores”.

Qual o principal motivo de o Cruzeiro disputar o título brasileiro pelo segundo ano consecutivo com larga vantagem para os concorrentes?

Vários fatores explicam o sucesso do Cruzeiro. Nenhum clube consegue chegar a esse patamar sem ter unidade administrativa e a tranquilidade financeira que temos aqui.

Ainda que seja a segunda menor entre os grandes clubes do país, o Cruzeiro tem uma dívida acumulada em 200 milhões de reais. De onde saem os recursos para bancar a folha salarial que comporta altos salários, como os de Dedé, Fábio e Júlio Baptista?

Nossas dívidas estão equacionadas no Refis. Temos todas as certidões negativas. Assumi o clube em uma situação muito difícil, sem estádio, jogando longe de Belo Horizonte. Uma vida de cigano que tirou a estabilidade do time e fez ruir o programa de sócio-torcedor. Mas quis mostrar que não iríamos mais abrir mão de nossos craques. O Cruzeiro não pode ser uma feira de jogadores. Em vez de fazer caixa vendendo ídolos, construiríamos um time forte com eles. Fizemos um planejamento e começamos a montar essa equipe em 2012, com o objetivo de equilibrar as contas e nos manter na primeira divisão. Com a volta do Mineirão em 2013, eu sabia da necessidade de reativar o sócio-torcedor. Contratamos um consultor, que já havia implementado com êxito esse tipo de programa em um clube do Rio Grande do Sul e também no exterior, para nos ajudar nessa retomada. Hoje temos mais de 60.000 associados. Com a entrada da nova receita, não houve necessidade de vender jogadores.

A arrecadação anual com bilheteria e sócio-torcedor superior a 50 milhões de reais é suficiente para dizer que o déficit deixado por antigas gestões está “equacionado”?

Podemos dizer que hoje o Cruzeiro é um clube com finanças equilibradas e saudáveis.

Mas, no último ano, o balanço financeiro registrou prejuízo de 22,8 milhões de reais…

Tivemos alguns percalços em 2013 e 2014. O problema com a torcida organizada e o fechamento do Mineirão para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo impactaram na queda de algumas receitas. Pelas nossas projeções, teremos superávit somente em 2015.

“Nossa política é bem clara: não somos vendedores”

 

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Para dar lucro, os clubes inevitavelmente precisam vender jogadores?

Não acredito nisso. Nossa política é bem clara: não somos vendedores. No Cruzeiro, a torcida é quem faz o time, literalmente. Além da contribuição com o programa de sócios, ouvimos até sugestões do torcedor para contratar reforços. Foram os casos de Dagoberto, Júlio Baptista e Dedé. Damos muito valor ao que nossa torcida pensa e quer ver em campo. E aí uma coisa puxa a outra. Com um bom time, o torcedor vai ao campo, prestigia e ajuda não só a pagar a conta, mas também nos dá condições de reforçar o plantel.

O senhor é favorável à proposta do Ministério do Esporte que prevê a renegociação das dívidas dos clubes brasileiros?

A maioria dos clubes está em situação ruim, boa parte deles por imprudência administrativa. Todos os dirigentes precisam ter responsabilidade para pagar as dívidas, mas é preciso viabilizar uma maneira de parcelá-las, com as devidas contrapartidas dos clubes.

“Outros presidentes me criticam por fazer tudo certinho”

 

Uma dos alvos do Bom Senso F.C. são os atrasos de salário. O Cruzeiro está em dia?

O Cruzeiro honra seus compromissos. Todos os nossos jogadores recebem seus vencimentos de forma integral em carteira assinada. Adotamos esse procedimento depois que a Justiça do Trabalho passou a interpretar direitos de imagem como um recurso dos clubes para maquiar a remuneração do atleta e não cumprir a legislação. Outros presidentes me criticam por fazer tudo certinho, mas isso só nos traz benefícios. Tem jogador que veio para o clube porque a esposa, que é amiga da mulher de um dos nossos atletas, ouviu dizer que os salários no Cruzeiro estão em dia, que honramos contrato e obrigações. Empresários também nos dão preferência. O Robinho, por exemplo, foi oferecido aqui antes de ir para o Santos. Mas entendemos que, pela qualidade do nosso elenco, não valeria a pena investir alto para contratar outro atacante.

O Cruzeiro atual é melhor que o do ano passado?

Eu acredito que sim. O plantel de 2014 é mais qualificado, mais depurado e com mais peças de reposição. Mesmo quando entramos com um time “alternativo”, fomos superiores aos adversários na maioria dos jogos.

Quais princípios norteiam sua gestão?

Eu gosto de estudar e leio muito. Minha gestão se inspira na filosofia de Ferran Soriano [CEO do Manchester City e ex-vice-presidente do Barcelona, um dos responsáveis pela reestruturação do clube catalão nos anos 2000] e, agora, na Alemanha. Não há mal nenhum em imitar o que dá certo. Acredito muito na formação de base, mas não só na formação para o futebol. Em primeiro lugar, queremos formar o cidadão. Temos uma escola dentro do clube e cobramos rendimento dos atletas das categorias de base, que antes de tudo são estudantes. Todos eles têm aulas de inglês. Quando vão disputar torneios no exterior, eles até namoram as mocinhas de lá, pois dominam mais de uma língua. É muito importante para o clube e para o futebol brasileiro formar jogadores que saibam dialogar, que tenham discernimento e uma bagagem cultural. Hoje vemos Mayke, Alisson e Lucas Silva se destacando no time principal, com chances de disputar a Olimpíada pela seleção. Mas essa é só uma parte do resultado de um trabalho maior na base.

O senhor concorre a uma vaga como deputado estadual em Minas Gerais e já declarou que vai disputar a reeleição no Cruzeiro em dezembro. Caso seja eleito em ambos os pleitos, como pretende administrar seu tempo entre a política e o futebol? Em 2011, o então mandatário Zezé Perrella assumiu uma cadeira no Senado e alguns conselheiros o acusaram de ter abandonado a presidência…

São situações diferentes. Eu escolhi me candidatar a deputado estadual justamente para não prejudicar meu trabalho no Cruzeiro. Se for eleito, não precisarei me afastar de Belo Horizonte e vou poder conciliar a atividade na Assembleia Legislativa com a administração do clube.

Marcelo Oliveira

Está em seus planos renovar o contrato do Marcelo Oliveira, que vai até o fim do ano, por um período maior?

O Marcelo Oliveira é um treinador que conhece bem o futebol moderno, prima pelo toque de bola e o jogo ofensivo. Essa é uma característica histórica dos grandes times do Cruzeiro, desde a época de Tostão, Piazza e Dirceu Lopes. Quando o torcedor mais antigo vê nosso time jogar, resgata a memória e se dá conta de que a tradição do Cruzeiro é atacar, jogar um futebol envolvente. Estamos muito satisfeitos com o trabalho do Marcelo e já pensamos em segurá-lo por mais tempo.

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