Atlético-MG

“Tive vontade de jogar no Corinthians, mas passou”

BELO HORIZONTE/ MINAS GERAIS / BRASIL (02.11.2013) Atlético x Náutico - no estádio Arena Independência - 32 rodada Campeonato Brasileiro 2013 - foto: Bruno Cantini

A cobiça do Corinthians por Diego Tardelli vem desde o fim do ano passado, quando o então diretor de futebol Roberto de Andrade tentava levantar recursos para formalizar uma proposta ao atleticano.

Uma das estratégias estudadas pelo clube na época era apelar para o lado emocional. Torcedor do Corinthians na infância, Tardelli, com o cabelo loiro-descolorido, era chamado de Dinei nos campinhos de em Santa Bárbara d’Oeste, interior de São Paulo, em homenagem ao atacante do time na década de 90.

Em entrevista ao blog, Tardelli confirmou a antiga paixão corintiana:

“Eu era corintiano quando pequeno. Tenho muitos amigos que sonham em me ver jogando no Corinthians. Me mandam mensagem no celular toda hora pedindo pra eu vestir a camisa alvinegra deles. No ano passado, houve o boato de que o Corinthians estaria interessado em mim, mas nunca me passou pela cabeça jogar em outro clube brasileiro que não seja o Atlético.”

O fato de ter começado a carreira no São Paulo colocou à prova a fidelidade corintiana do atacante. “Na minha época de São Paulo, meu maior rival era o Corinthians. Eu queria fazer gol em todos os jogos contra eles para provar à torcida que não existia essa coisa de não me esforçar por ser corintiano. Nada a ver.”

Diego Tardelli
Diego Tardelli

Em 2004, ele viveu uma saia-justa no Morumbi. Depois de o São Paulo perder a final da Copinha para o Corinthians, acabou flagrado por torcedores no bar em que jogadores corintianos festejavam o título.

“Eu estava com um companheiro – que hoje joga aqui no Atlético, por sinal, mas não vou entregá-lo. Fomos a um barzinho depois da final e, por acaso, encontramos o Abuda e o Jô. Não combinamos nada. Foi uma coincidência”, disse o atacante.

Tardelli reafirmou ainda sua identificação com o Atlético.

“Depois que eu vim para o Atlético, as coisas mudaram. Já tive vontade de jogar no Corinthians, mas passou. Agora sou atleticano. Não me vejo jogando em outro clube no Brasil. Se um dia sair do Atlético, eu pretendo ir para fora, não para outra equipe daqui.”

Após a entrevista, no entanto, o Atlético caiu na Libertadores, Tardelli trocou farpas com o técnico Levir Culpi e passou a ser ainda mais contestado pela torcida, impaciente com sua temporada de lesões e um interminável jejum de gols.

O que pode até fazê-lo repensar caso a proposta do Corinthians finalmente seja colocada no papel. Porém, o principal entrave para que os amigos corintianos de Tardelli o vejam revirar a casaca é financeiro.

Para resgatá-lo do Catar em 2013, o Atlético desembolsou mais de 5 milhões de euros ao Al-Gharafa. É improvável que o Corinthians, com caixa defasado, engate uma investida nesse patamar depois de pagar 4 milhões de euros por Elias.

Também é improvável que o Atlético aceite fazer negócio por menos do que gastou. A não ser que Tardelli demonstre interesse em defender o (ex?) clube do coração.


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Cruzeiro, Libertadores

Os cinco pecados da constelação

Esqueça o Papa e seus milagres. O Cruzeiro, apesar do elenco estrelado, favoritíssimo depois da queda dos concorrentes brasileiros, tropeçou nas próprias pernas ao deixar o tri da Libertadores escapar em casa.

Por partes:

* DEDÉ: 8 OU 80
Ao contrário de Bruno Rodrigo, discreto, regular e eficiente, Dedé chamou a atenção pelo estilo espalhafatoso, para o bem e para o mal. Ora surpreendendo no ataque, como no gol salvador que marcou sobre o Cerro Porteño, ora vacilando lá atrás.

dede_zagueiro_cruzeiro

Contra o San Lorenzo, uma falha no jogo de ida e outra por se afobar no lance que resultou no gol de Piatti. Perdeu a vaga na Copa e a segurança na defesa, o maior capital de um zagueiro. Inconstância que custou caro, ao time e aos cofres do clube.

* JOGAI POR ELES
Alguns jogadores atribuíram a eliminação à falta de ímpeto fora de casa. Na verdade, inclusive nos jogos no Mineirão, o Cruzeiro deixou os adversários tomarem a iniciativa. Postura conservadora, totalmente distinta do ano passado. A equipe confiou demais no empurrão da torcida, que, de fato, compareceu e apoiou.

Cruzeiro 5 x 1 LaU

Mas dessa vez não converteu o grito das arquibancadas em imposição no campo. Apesar da invencibilidade, foram três empates no Mineirão. Todos com sabor de derrota, sobretudo o último, diante dos argentinos.

* QUEM É QUE SOBE?
Se há uma palavra que define a formação celeste em 2014 é… indefinição. Quais são volantes? Qual o desenho do ataque? Quem faz o centroavante? Marcelo Oliveira não tem convicção sobre seu time ideal. Mexeu várias vezes na dupla de volantes, engrenagem da campanha do tri. Não encontrou um centroavante capaz de aplacar a temporada de Borges no estaleiro.

Marcelo Oliveira, head coach of Brazil's Cruzeiro gives instructions to his players during their Copa Libertadores soccer match against Uruguay's Defensor Sporting in Montevideo

No ano passado, até o torcedor mais incauto sabia quem fazia o quê no gramado. Hoje, o time é menos equilibrado: enquanto alguns jogadores acumulam funções, outros, como Julio Baptista, estão perdidos.

* CARGA PESADA
Julio Baptista já atuou como centroavante, meia-armador e aberto pelas pontas. Em nenhuma das posições, mesmo quando joga bem, conseguiu se entender com os companheiros de frente.

julio_baptista_cruzeiro

Mais lento que os demais, costuma retardar contra-ataques e, quando volta para buscar jogo, causa um rebuliço desembestado no meio. Coincidência ou não, desde que ele começou a frequentar o time titular, a bola dos outros craques murchou.

* O TRIO DO TRI
Ricardo Goulart, Everton Ribeiro e Willian foram determinantes para o título brasileiro. Mas, nessa Libertadores, os três caíram de produção. Marcelo Oliveira fez o Cruzeiro se adaptar a Julio Baptista, não o inverso.

everton_ribeiro_mineirao

E os homens de frente sentiram a diferença. Maestro de 2013, Everton Ribeiro, mais sobrecarregado na marcação, ainda não encantou nesta temporada.


Vale lembrar, porém, que foi justamente após a queda inesperada para o Flamengo no ano passado que o Cruzeiro arrancou para o tricampeonato nacional.

Ainda há uma nova motivação: a chance de conquistar a Tríplice Coroa, como em 2003.

Apesar da frustração de torcida e diretoria ao ver o time falhar no principal objetivo da temporada, o Cruzeiro está longe de crise ou desmanche.

Com ajustes e outro voto de confiança – principalmente no trabalho de Marcelo Oliveira – o melhor e mais valioso elenco da Libertadores tem todas as credenciais para reafirmar a soberania em terras nacionais.


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Atlético-MG, Cruzeiro

O impedimento da mulher

fernanda_colombo_bandeirinha

Fernanda Colombo, assistente do clássico entre Atlético x Cruzeiro, se equivocou ao marcar impedimento de Alisson em um dos lances capitais da partida. Acompanhou a corrida de Marcelo Moreno, adiantado, e cometeu um erro crasso.

Nada que justifique, porém, a declaração do diretor cruzeirense Alexandre Mattos após a vitória do rival: “Essa bandeira é bonitinha, mas não está preparada. Se é bonitinha, que vá posar para a [revista] Playboy.”

Mattos é bom dirigente, um dos responsáveis pelo último título brasileiro do clube, mas tropeçou feio. Um comentário infeliz que só reforça o machismo descarado do futebol.

Fosse um homem no lugar de Fernanda, Mattos não recorreria a seus atributos físicos para criticá-lo. Em abril, a assistente Maira Americano Labes também foi alvo de insultos machistas do técnico do Juventus-SC, Celso Teixeira, que havia sido expulso da partida.

Toda vez que um homem ressalta os “traços femininos” de uma mulher em detrimento de suas virtudes (e deméritos) profissionais, seja no futebol ou em qualquer outro meio, trata de reduzi-la a uma posição inferior e de subserviência.

fernanda_colombo_machismo

A declaração de Alexandre Mattos soa como um alerta inescrupuloso: “Cara Fernanda, você é mulher.  E mulheres não são bem-vindas no futebol. Lembre-se disso”.

No entanto, Fernanda deve ser julgada exclusivamente por sua atuação, não por seus atributos físicos. Erros devem ser relacionados a sua qualificação, não à suposta condição de “sexo frágil” em meio a gladiadores brutamontes.

Aliás, se fosse tão despreparada como Mattos rotulou, ela não teria chegado ao quadro de aspirantes da Fifa. A tentativa de desqualificar a competência da mulher no futebol é torpe e vem de longa data.

Em 2007, a ex-auxiliar Ana Paula Oliveira posou nua para a revista Playboy e, a partir dali, viu sua carreira declinar. Ao contrário dela, ex-jogadores como Vampeta e Roger Noronha posaram nus para a G Magazine e seguiram jogando normalmente. Curioso, não?

Ontem à noite, o jornal Extra estampou a seguinte manchete Bandeirinha musa Fernanda Colombo é clicada em pose indiscreta em clássico mineiro, seguida de uma imagem da assistente agachando-se no gramado.

O mesmo gesto de um bandeirinha, de um homem, teria alcançado tamanho destaque? O erro de um homem teria gerado a mesma reação de Mattos? Definitivamente, não. Porque, no futebol, o homem que erra é incompetente. A mulher que erra é… mulher.

Como se o fato de ser mulher fosse uma limitação, uma deficiência.

Cara Fernanda, levante a cabeça, treine e prepare-se mais para errar menos. Que daqui para frente você seja elogiada ou criticada pelo que fizer com a bandeira na mão. E perdoe os ignorantes que ainda acreditam que gênero e beleza sejam capazes de impedir qualquer pessoa de realizar uma profissão.

ATUALIZAÇÃO – 13/5 às 9h50

O diretor de futebol do Cruzeiro, Alexandre Mattos, entrou em contato com o blog nesta manhã. Ele reconhece que, após esfriar a cabeça, passada a derrota no clássico em que seu clube foi prejudicado por erros do apito, exagerou na crítica e pede desculpa à auxiliar Fernanda Colombo.

No entanto, ele segue colocando em xeque o processo de seleção de árbitros na comissão de arbitragem da CBF:

“Refletindo com mais calma depois do jogo, eu me dei conta do meu erro. Exagerei ao usar alguns termos para criticar a atuação da bandeirinha e peço desculpas se ela se sentiu ofendida. Não foi minha intenção. O que questiono é outra coisa. Como ela é muito jovem [23 anos] e já apitou um clássico do tamanho de Cruzeiro x Atlético, tenho a impressão de que estão forçando a barra para promovê-la, só porque é bonita, pra ver se cola. Ela já havia errado na semana anterior e acabou prejudicando o Cruzeiro em um jogo importante.” 


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