Atlético-MG

E a bolha começa a estourar

O bloqueio de mais de 40 milhões de reais referentes à venda do meia-atacante Bernard, que tem comprometido as finanças do Atlético, é só um reflexo de como os clubes brasileiros não se planejam para pagar seus débitos exorbitantes.

Ainda refém da receita com venda de jogadores, segunda maior responsável pelo faturamento das equipes nacionais – só perde para os direitos de TV –, o Galo atrasou pagamentos de jogadores às vésperas de disputar o Mundial de Clubes.

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Nenhuma parte do dinheiro previsto com a negociação de Bernard está reservada para o pagamento de dívidas. Tudo o que pingar no caixa alvinegro vai direto para o saneamento das contas atuais, para o clube não amargar outra vez um prejuízo anual superior a 30 milhões de reais.

O caso do Atlético é emblemático para explicar a situação dos grandes clubes brasileiros, que acumulam quase 4 bilhões em débitos fiscais. Com uma dívida de 415 milhões de reais, o Galo tem aumentado a arrecadação. Paralelamente, entretanto, engordou suas despesas – sobretudo com a folha salarial do elenco – e vê os juros da dívida de anos e anos abocanhar boa parte do faturamento.

Fato que obrigou o presidente Alexandre Kalil a apelar até à presidente e atleticana Dilma Rousseff. Um pedido desesperado de socorro para liberar a bolada retida na Fazenda Nacional.

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O pedido de Kalil será capaz de sensibilizar o coração alvinegro de Dilma?

Vale lembrar que, em outubro, Kalil filiou-se ao PSB, do presidenciável Eduardo Campos, e é cotado para encabeçar uma das frentes de oposição à Dilma nas eleições do ano que vem. E que ele também é aliado de longa data do governador Antonio Anastasia e do senador Aécio Neves (PSDB) em Minas Gerias.

Nos bastidores da bola, aproximou-se do presidente da CBF, José Maria Marin, a quem Dilma faz questão de evitar inclusive nas solenidades com a comitiva da Fifa.

Para completar, o cartola atleticano não tem poupado críticas ao poder público na organização da Copa do Mundo, absolvendo somente Anastasia e o prefeito de BH, Márcio Lacerda, que é filiado ao PSB.

Apesar de seu (tímido) apreço pelo Atlético, Dilma Rousseff não deve se esforçar para ajudar um potencial opositor a sua reeleição, em seu estado.

Kalil tem um abacaxi nas mãos e pode não conseguir descascá-lo até o Mundial. O Atlético, sufocado pela dívida milionária, precisa repensar os gastos para 2014 (orçamento previsto em 254 milhões de reais), a não ser que a anistia fiscal aos clubes brasileiros saia do papel no Congresso. O que também depende de boa vontade do governo federal e da canetada da presidente.


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