Atlético-MG, Libertadores

Homem de fé

Já se passaram mais de três meses. Mas o torcedor atleticano não esquece o pé esquerdo de Victor que salvou o time da queda precoce na Libertadores. “Foi coisa de Deus”, diz o goleiro em depoimento à revista PLACAR de setembro.

victor-atletico-2013-tijuana

São Victor ainda descreveu tudo o que passou por sua cabeça na hora da penalidade, marcada aos 48 minutos do segundo tempo:

“Eu nunca tinha visto o Independência daquela forma. Logo que o juiz apitou o pênalti, pairou um silêncio absurdo no estádio, desesperador. Um misto de desconsolo e tristeza. Mesmo assim, eu procurei me concentrar, conversei com Deus. O técnico do Tijuana determinou que o Arce batesse o pênalti. Sobre ele, eu não tinha muita informação. Mas, quando vi o Riascos posicionando a bola para a cobrança, já sabia o que fazer. É claro que eu jamais imaginaria que pudesse defender o pênalti com o pé, mas tinha a convicção de que cairia para o canto direito. Eu tinha assistido aos vídeos dele.

Não falei nada para o Riascos. Tentei olhar em seus olhos. Mas ele abaixou a cabeça e desviou o olhar. Senti que ele estava confiante, porque tinha feito um jogo muito bom, além de ter marcado gols na partida de ida e na volta. Ele não era o batedor oficial, mas passou por cima da ordem do treinador e pegou a bola. Quis se consagrar, sair como o herói da classificação do Tijuana. Fiquei parado, sem me movimentar, para retardar o salto e não facilitar a vida do cobrador. Assim que ele partiu para a bola, eu dei um passo à frente, estiquei a perna e senti a bola bater forte em meu pé esquerdo. Aí foi um êxtase total. Pela primeira vez, eu vi uma torcida comemorar uma defesa como se fosse um gol.”

Campeão da Copa das Confederações em 2009, Victor também falou de sua mágoa por ter sido preterido por Doni na lista de Dunga três anos atrás:

“Minha maior frustração no futebol foi a não-convocação para a Copa de 2010. Não entendi o porquê.”

Já dos tempos de Grêmio, o goleiro diz ter boas lembranças, apesar da crucificação após a transferência para o Atlético:

“Eu nunca pedi para sair do Grêmio. Tentaram manchar minha imagem, dizendo que eu não queria mais jogar pelo clube, mas foi um acordo entre as duas diretorias.”

O perfil completo de São Victor, capa da edição mineira, está na PLACAR de setembro, já nas bancas e em breve disponível na Loja Online da Abril.

victor_galo_capa_placar


Acompanhe as novidades do blog pelo Twitter: @bololomineires