Atlético-MG, Libertadores

Por que o São Paulo não é um Atlético?

Primeiro, às semelhanças: dois presidentes passionais ao extremo, folclóricos, retóricos, populistas. Duas categorias de base bem estruturadas. Dois CT’s de primeiro mundo. Bom elenco, jogadores de ponta, formação tática parecida. Dois grandes clubes brasileiros.

O que separa Atlético e São Paulo, afinal? Cinco títulos brasileiros, três Libertadores, três Mundiais. Honrarias no plano histórico, que, comprovadamente, não entram em campo, não ganham jogos.

BELO HORIZONTE/ MINAS GERAIS / BRASIL (09.05.2013) Atlético x São Paulo - no Independência - Copa Libertadores 2013 - foto: Bruno Cantini

No plano atual, há dois traços determinantes que distinguem os mineiros dos paulistas. O banquete de jogadores do Galo derrama qualidade. O cardápio de Ney Franco não enche uma panela.

Sem poder contar com Lúcio, Luis Fabiano, Osvaldo e Aloísio nos dois jogos das oitavas da Libertadores, o São Paulo virou presa fácil para um plantel cheio de fome e talento do Atlético.

A outra diferença é conceitual. Na véspera do jogo de volta, em Belo Horizonte, Juvenal Juvêncio, mandatário longevo do tricolor, vangloriava-se de ter mudado todo o time – salvo Rogério Ceni – no fim de 2011. A entrevista à ESPN Brasil apenas elucidou uma inversão de postura desenhada há tempos nos bastidores do Morumbi.

Manter a base e valorizar jogadores com tempo de casa deu lugar a uma política de limpeza constante no plantel e apostas de curto prazo, como bem dissera o ex-superintendente Marco Aurélio Cunha. Tudo o que o clube não fazia em um dos períodos mais vitoriosos de sua história, com Muricy Ramalho no comando.

Tudo o que o Atlético se cansou de fazer em seus dias de penúria e flerte com rebaixamentos. Ao contrário de Juvenal, que acaba de dispensar nada menos que sete atletas, Alexandre Kalil aprendeu a lição. Mesmo com o time em crise, manteve boa parte do elenco goleado pelo Cruzeiro no fim de 2011. Aos poucos, incrementou “cerejas” no bolo e hoje colhe frutos de uma base bem plantada.

O São Paulo desaprendeu. No campo, no presente, está a léguas de distância do time de Cuca. E hoje, se repetisse dez vezes o confronto de mata-mata com o Atlético, perderia em todas, de novo.