Cruzeiro, Mineirão

Uma questão de estrutura

No fim do ano passado, Ronaldinho já havia dito ao blog que a estrutura da Cidade do Galo estava diretamente relacionada à sua chegada ao Atlético e à subida de produção pós-Flamengo.

Agora é a vez de Diego Souza, principal contratação do Cruzeiro para esta temporada, se derreter pelas modernas instalações da Toca da Raposa II.

“Poder trabalhar em um clube bem estruturado faz uma diferença enorme. Se o Vasco tivesse a estrutura do Cruzeiro, teria conquistado mais títulos”, afirma o meia à PLACAR de março.

Diego Souza atacante do Cruzeiro

Na entrevista, o camisa 10 celeste também revela que a nova casa do Cruzeiro pesou na decisão de aceitar a proposta do clube.

“Com a volta do Mineirão, o torcedor fica mais próximo, enche o estádio. As outras equipes chegam com mais respeito.”

Diego ainda avalia que o pedido feito a Alexandre Kalil para sair do Atlético em 2011 foi “uma escolha fantástica”, devido ao período de ostracismo que vivia no banco do Galo. Entretanto, não deixou de exaltar a virtude que mais lhe chamou a atenção durante a passagem pelo rival.

“O Atlético é incrível, tem uma grande estrutura. O Cruzeiro, também. Poucos clubes no Brasil oferecem essa tranquilidade para o jogador trabalhar.”

Os discursos de Ronaldinho e Diego Souza já viraram clichês, é verdade, mas traduzem uma realidade comum aos dois maiores clubes de Minas.

Embora não tenham estádio próprio, tanto Cruzeiro quanto Atlético se dão ao luxo de seduzir craques e lutar de igual para igual com gigantes do futebol brasileiro na hora de contratar medalhões com um argumento que soa como música aos ouvidos de empresários e boleiros: “Sim, nós temos estrutura”.

Cruzeiro, Mineirão

Minas Arena em xeque

A reinauguração às pressas do Mineirão continua gerando dor de cabeça para o Governo de Minas. O estádio apresenta falhas e tropeços de gestão que podem demorar mais que os seis meses previstos para serem corrigidos. A Minas Arena, concessionária da nova arena, está com a corda no pescoço.

Além de ter sido multada em 1 milhão de reais pelo governador Antonio Anastasia por causa dos problemas de logística e organização no último clássico entre Cruzeiro e Atlético, a administradora enfrenta ações coletivas no Ministério Público de torcedores que se sentiram lesados no estádio – ou na tentativa de adentrá-lo, como o grupo de quase 600 sócios cruzeirenses que ficou sem ingresso para o clássico.

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Governo e Minas Arena: “choque de má gestão” no primeiro mês do novo Mineirão

Em outra trincheira, fornecedores de material de construção e acabamento do novo Mineirão alegam ter dificuldade para receber da Minas Arena. Segundo três empresas ouvidas pelo blog, algumas faturas acumulam mais de dois meses de atraso. Somadas as quantias, a dívida é de pelo menos 2 milhões de reais.

Cansadas de cobrar o acerto de contas, duas delas já protestaram os débitos em cartório e estudam processos judiciais para compensar os atrasos. Por meio de nota oficial enviada ao blog, a Minas Arena argumenta que “a mudança de gestão de obra para gestão de operação ocasionou um replanejamento do fluxo de caixa” .

O faturamento mínimo da Minas Arena com o novo Mineirão é de 3,7 milhões de reais mensais, que pode ser subsidiado com dinheiro público caso as receitas com o estádio e a esplanada não atinjam o valor mínimo previsto pelo contrato de concessão. A administradora diz que não há falta de recursos e que “negociou o novo planejamento com seus fornecedores e está honrando os compromissos nas datas acordadas”.

FORA DE ÁREA

Torcedores e profissionais de imprensa têm enfrentado restrição de sinal para usar celulares nas dependências do novo Mineirão.

Padrão em estádios modernos pelo mundo, a instalação de antenas dentro do Mineirão para reforçar o sinal das operadoras de telefonia corre risco de não sair a tempo da Copa das Confederações, em junho.

A concessionária ainda não chegou a um acordo com as operadoras, que reclamam do alto preço cobrado pelo aluguel do espaço para as antenas.

A Minas Arena, por sua vez, joga a culpa pela instabilidade em cima das operadoras, mas afirma que não tem medido esforço para melhorar o sinal de celular no interior do Mineirão e está “100% preparada” para receber as antenas.

Enquanto isso, fazer ligações durante o intervalo dos jogos ou postar uma foto da arquibancada nas redes sociais é missão quase impossível no segundo estádio “pronto” e entregue para a Copa do Mundo de 2014.

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Cruzeiro, PLACAR

O calvário de Montillo

Antes de deixar o Cruzeiro, Montillo já não era aquele 10 insinuante e decisivo que habitou a Toca da Raposa até o fim de 2011. Hoje, no Santos, o argentino ainda é uma incógnita.

Em nove jogos oficiais pela equipe paulista, foi substituído em seis oportunidades, não fez gols e deu apenas uma assistência. Longe de atender a expectativa dos dirigentes santistas, que fizeram dele a contratação mais cara da história do clube.

Em entrevista à PLACAR de março, Montillo diz viver um período de adaptação, ressaltando que a fase goleadora no Cruzeiro foi uma curva atípica da carreira. E deu sua versão para a arrastada saída do clube celeste.

“O torcedor ficou bravo, me chama de mercenário, mas a verdade é que o presidente [Gilvan Tavares] precisava me vender. Agradeço ao Cruzeiro, um grande clube que me deu a oportunidade de vir para o Brasil. Mas não tenho o que explicar ao torcedor. O presidente falou muitas coisas que não foram certas quando eu saí, para botar a torcida do lado dele. Mas eu não preciso disso. Minha consciência está tranquila.”

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O ex-camisa 10 cruzeirense ainda credita a contratação de reforços ao saldo de 16 milhões de reais referentes à sua venda ao Santos.

“O Cruzeiro precisava montar um time, mas não tinha dinheiro. Há dois anos, não contratava jogadores de peso e, por isso, quase foi rebaixado duas vezes. Depois que eu saí, montaram um time forte, com Dagoberto e Diego Souza.”

Gratidão, somente pela torcida do Cruzeiro, que o apoiou nos momentos difíceis que passou em Belo Horizonte com o filho Santino. Não pelo clube e a diretoria, que travou sua negociação por mais de um ano.

“Sempre fui profissional e cumpri minhas obrigações. Eu não devo nada ao Cruzeiro, e o Cruzeiro não deve nada a mim.”

A dívida de Montillo agora é com ele mesmo. Para provar que pode ser feliz longe do reduto mineiro que o acolheu no Brasil.