Atlético-MG, Cruzeiro

A caixa-preta que Cruzeiro e Atlético teimam em esconder

No começo de outubro, a Pluri Consultoria elaborou o primeiro ranking de transparência dos clubes. Entre os 12 maiores do Brasil, Cruzeiro e Atlético-MG ocupam os últimos lugares. Entre os que disputam a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, superam somente Portuguesa, Atlético-GO, Náutico, Ponte Preta, Sport e Bahia.

O ranking, que inclui clubes da segunda divisão, traz Cruzeiro em 16º lugar e Atlético em 18º. Os critérios para avaliação levam em conta publicação e fácil acesso aos balanços financeiros, relatórios anuais, organograma, orçamento para o ano seguinte e estatuto do clube.

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De acordo com o levantamento da Pluri, o Atlético não disponibiliza balanço financeiro em seu site oficial – ou não o fazia até a data de divulgação do estudo – nem apresenta relatórios anuais e orçamento.

O Cruzeiro, por sua vez, publica o balanço (que tem nível de confiabilidade “médio”) no site, mas nega ao torcedor o direito básico de conhecer o estatuto do clube pela internet.

Há ainda outros fatores, não avaliados pela Pluri, que endossam a falta de transparência dos times mineiros. Atlético e Cruzeiro, assim como a maioria dos clubes brasileiros, omitem valores desembolsados em negociações de jogadores. O torcedor nunca sabe se o dinheiro gasto para pagar o craque do time sai do cofre da instituição ou do bolso de investidores (nesse caso, não se sabe qual a porcentagem ou a moeda de troca utilizada para fechar as tão clássicas quanto nebulosas “parcerias”).

A nova moda é esconder quanto tempo um jogador lesionado leva para se recuperar e qual o tipo ou a gravidade da lesão. O Cruzeiro orgulha-se de ser pioneiro ao aplicar a lei da mordaça em seu departamento médico.

Os rivais da capital mineira também sustentam cenário político comum. Ambos navegam em águas calmas nos bastidores. A oposição nos conselhos deliberativos celeste e alvinegro está esfacelada. Ninguém pede revisão de contas, ninguém contesta, ninguém protesta.

Tanto Alexandre Kalil quanto Gilvan de Pinho Tavares podem dar suas cartadas nos maiores clubes de Minas de acordo com o que pensam, longe da obrigação de dar crédito ao interesse dos torcedores que representam.

O cadeado na porta dos clubes é cada vez maior no momento em que os clubes mais dependem da torcida para sobreviver. Este ano, Atlético e Cruzeiro se mobilizaram para reativar projetos de sócio-torcedor. A conta do futebol normalmente não fecha. Sem a contribuição mensal de fieis seguidores, os times tendem a entrar em colapso financeiro.

E o que isso tem a ver com transparência? Que o torcedor, na visão dos grandes mineiros, só é prioridade na hora de ajudar a pagar a conta. Um clube que não é transparente ignora o senso crítico de seus contribuintes.

Até quando torcedores se prestarão ao papel passivo e ignóbil de injetar grana em instituições que desprezam o dever de declarar, na prática, de forma sistemática, o que é feito com seu dinheiro? A bolha de ferro em que os clubes se enclausuraram domou os legítimos donos do espetáculo.

Atlético-MG

Revista inglesa compara Atlético Mineiro a time modesto da Escócia

A tradicional revista inglesa FourFourTwo dedicou oito páginas para a publicação de uma entrevista com Ronaldinho Gaúcho, feita quando o meia ainda era jogador do Flamengo.

Quando o correspondente da revista enviou o material à redação, Ronaldinho havia acabado de fechar contrato com o Atlético, no começo de junho.

Para não deixar passar batido o novo clube do astro, a FFT encaixou na edição uma foto de sua apresentação no Galo. Assumindo desconhecimento sobre o time mineiro, a revista o comparou, ironicamente, ao St. Mirren, um dos clubes mais antigos da Escócia, mas sem qualquer expressão no já inexpressivo campeonato local. Em 115 anos de história, a equipe nunca conquistou um título escocês.

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Mas, além do uniforme alvinegro, o St. Mirren guarda pequenos paralelos com o Galo. Tal qual o time atleticano, o modesto clube escocês vive longo jejum de títulos nacionais. Levantou seu último troféu há 25 anos, quando ganhou a Copa da Escócia, em 1987.

Em 2006, assim como o Atlético, o time conquistou a segunda divisão e voltou a figurar entre os “grandes” escoceses. No entanto, está longe de brigar nas cabeças. Aparece em 9º lugar no “Escocesão” 2012-13.

Semelhanças à parte, o Galo, hoje na luta para conquistar um título nacional depois de 41 anos, está longe de ser um St. Mirren, como brincou a FourFourTwo.

St Mirren: apesar de centenário, alvinegro da Escócia também vive jejum de títulos nacionais
St Mirren: apesar de centenário, alvinegro da Escócia também vive jejum de títulos nacionais

Publicada há três meses, a edição da revista ainda questionou se, ao fechar “um surpreendente contrato” com o clube alvinegro, Ronaldinho não estaria dando seu “último canto do cisne”.

Sem contar o ganho em exposição que proporcionou ao Atlético, que deve evitar novas “comparações” com St. Mirren’s mundo afora, Ronaldinho vem provando que ainda tem fôlego para cantar de galo por mais alguns anos.

Cruzeiro

Maldição celeste

Contratado para tomar conta da defesa cruzeirense, o uruguaio Mauricio Victorino tornou-se apenas uma miragem de um grande zagueiro.

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No começo de 2011, com o aporte do parceiro e investidor de longa data, Supermercados BH, o Cruzeiro pagou 3,4 milhões de reais para tirá-lo da Universidad de Chile. Quantia alta para um defensor, mas a esperança de que o jogador pudesse repetir o bom desempenho do ex-companheiro de time Montillo, e o quarto lugar na Copa do Mundo de 2010 com a seleção uruguaia, avalizavam o investimento.

Mas, da ameaça de rebaixamento em 2011 ao campeonato mediano nesta temporada, Victorino não se firmou e falhou na missão de arrumar a zaga celeste. Lesões, como a que o afastou do jogo de hoje à noite, contra a Ponte Preta, são mais constantes que suas boas atuações.

No Brasileirão, esteve em campo em nove partidas. Ganhou apenas duas, contra Vasco e Palmeiras. Empatou duas e perdeu cinco. Não joga desde 23 de setembro, quando enfrentou o São Paulo no Morumbi.

Além das contusões, os chamados para a seleção uruguaia também atrapalharam. Por sinal, a chave do problema reside no Uruguai. O declínio da Celeste, em quinto lugar nas Eliminatórias sul-americanas, respingou nos craques comandados por Oscar Tabárez.

No PSG, Diego Lugano vive situação semelhante à de Victorino. Fora da Liga dos Campeões, o ex-são-paulino está na geladeira na França e já procura outro clube para o ano que vem. No Liverpool, Luis “La Mano” Suárez tenta, em vão, fazer os Reds deslancharem. Bem atrás do rival Everton, a equipe amarga uma adstringente 12ª colocação no campeonato inglês.

No Brasil, Loco Abreu foi para o Figueirense e, no estaleiro, mal entrou em campo. Forlán, apesar dos dois gols de ontem contra o Vasco, já sofreu com protesto da torcida colorada e foi chamado de ex-jogador em pichação no Beira-Rio.

Victorino não foge à regra. Está em descrédito com boa parte da torcida cruzeirense e com o técnico Celso Roth. Mal na seleção uruguaia, mal no Cruzeiro. Enquanto o tal xerifão dos tempos de La U não dá as caras, a Toca da Raposa também padece com a zica celeste.

Ou há outra explicação para o ostracismo de Victorino? No creo en brujas, pero que las hay, las hay.

Atlético-MG

O milagre de Bernard

Capa da próxima edição de PLACAR, que chega às bancas nesta sexta-feira, Bernard teve de bancar um tratamento para ganhar corpo e tamanho. O biótipo mirrado o condenava nas categorias de base dos grandes clubes, sedentas por brutamontes.

Na virada do Atlético sobre o Fluminense, no último domingo, o meia se agigantou com arrancadas e passes precisos, como o cruzamento para o segundo gol de Jô. Vice-artilheiro do Galo no Brasileiro, com 9 gols, ele computou sua nona assistência e tornou-se o terceiro melhor garçom do campeonato, atrás somente de Jadson, do São Paulo, e Ronaldinho.

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Bernard ainda impôs a condição de freguês ao time carioca. Em agosto do ano passado, ele marcou o golaço, aos 37 do segundo tempo, que deu o título da Taça BH ao Galinho diante do Flu. “O Fluminense era o maior campeão da Taça BH, mas jogamos com vontade e eu consegui fazer o gol do título. Tomara que este ano o Galo consiga superar o Fluminense outra vez”, diz, orgulhoso do feito. Depois da conquista, carimbou passaporte para não sair mais do time principal do Atlético.

Antes do estrelato, no entanto, a trajetória do Bambino de Ouro por pouco não foi barrada pelo preconceito. Ele chegou a ser dispensado duas vezes da base atleticana e, inclusive, recusado em outras duas oportunidades pelo rival Cruzeiro.

Com menos de 50kg e 1,54m aos 15 anos, Bernard era julgado pelo tamanho, não pelo talento. Mas perseverou. “Ele não tinha medo dos grandões. Ia pra cima e, na maioria das vezes, passava. Eu é que tinha medo de ele se machucar numa dessas”, conta Alessandro Rodrigues, ex-técnico de Bernard na Escola Municipal Luiz Gatti, no Barreiro, onde o meia estudou e, desde cedo, se destacava em torneios intercolegiais.

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Mais histórias do camisa 11 atleticano, de promessa à maior revelação do Campeonato Brasileiro, estão na edição de novembro da revista PLACAR.

Se hoje ninguém mais duvida de Bernard, não há como duvidar que o Galo ainda pode ser campeão brasileiro – e que o meia pode novamente desbancar seu freguês Fluminense.

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Atlético-MG

Um Galo avassalador diante da paranoia do apito

O Atlético jogou melhor e ganhou na bola, merecidíssimo. Engoliu o Fluminense em todos os campos: físico, tático e técnico.

Ronaldinho espetacular, como de praxe no Independência. Bernard, impossível. Jô fez o papel do bom centroavante matador. Pierre e Leandro Donizete aniquilaram a criação tricolor. Leonardo Silva e Réver confirmaram a fama de melhor defesa do Brasil.

Mas não se deve culpar o árbitro pelo gol anulado. Tanto o lance de Edinho, contra o Vasco, quanto o de Leonardo Silva, diante do Fluminense, são faltosos.

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Dizer que esse tipo de falta não deveria ser marcado é legitimar o vale-tudo no futebol. Se é barreira, então, pode empurrar, chutar, socar?

Falta de critério da arbitragem? Ok. Problema crônico que atinge o apito no mundo inteiro. Porém, o que Jailson Macedo Freitas fez neste domingo foi aplicar a regra. Falta em barreira também é falta, ora.

O Brasil talvez seja o único país que produziu especialistas em comentar e analisar arbitragem. Hipervalorizamos a figura do árbitro e desconsideramos o erro casual.

Como dissera antes no blog, torcidas que chiam alegando complôs e supostos conluios da arbitragem também se alimentam dos erros para acossar rivais e absolver favorecimentos quando seu time é o beneficiado. Pimenta nos olhos dos outros é refresco. É o universo hermético do torcedor.

Quando esse espírito contamina dirigentes, técnicos e jogadores, a coisa descamba para a abstração da hipocrisia. E é danosa à imagem do futebol.

O Fluminense, tantas vezes beneficiado por erros de arbitragem no Brasileirão, saiu na bronca com o árbitro. O Atlético, que viu o Fluminense ter um gol anulado no jogo do primeiro turno, já entrou em campo com a pilha da conspiração, culpou Jailson Freitas por uma falta de critério que não é dele e, automaticamente, condicionou a vantagem do rival às mancadas dos apitadores.

Atribuir aos mediadores do espetáculo o protagonismo que sempre coube aos atores que produzem gols, genialidades e faltas na barreira é um atentado à grandeza do jogaço de ontem.

Atlético-MG, Cruzeiro, PLACAR

Quem é o maior cai-cai de Minas?

A edição de outubro da revista PLACAR explica como a simulação se tornou o âmago de todos os males do futebol brasileiro. Com a vigilância dos árbitros, encenar deixou de ser uma virtude dos boleiros.

Hoje em dia, o jogador cai-cai é tachado pelo rótulo – como acontece com Neymar – e marcado pelos árbitros. Ao preferir a queda a prosseguir na jogada, prejudica a si mesmo e ao próprio clube.

Em Minas, Cruzeiro e Atlético contam com pelo menos dois exemplares de encenadores e adeptos das artes cênicas.

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Elber
Em seu segundo ano como profissional no Cruzeiro, o atacante de 20 anos consegue ser tão hábil com a bola nos pés quanto nos mergulhos ao primeiro toque do adversário. No primeiro turno do Brasileiro, foi expulso após tentar simular pênalti contra o Santos.

Wellington Paulista
Embora tenha tamanho para trombar com zagueiros, prefere desabar como um trator desengonçado e, como agravante, perturba os árbitros com chiliques coléricos. Levou bronca de Celso Roth depois de tomar suspensão pelo terceiro amarelo por simulação diante do Coritiba. Voltou a ser advertido com cartão pelo mesmo motivo contra o Vasco.

Júnior César
A pecha de cai-cai costuma pegar em atacantes, mas o lateral do Galo foge à regra. Tem habilidade incomum para se contorcer em dores, como quem acaba de sofrer uma convulsão. É capaz de dar cambalhota com duplo twist carpado para mostrar ao árbitro que foi atingido. Teatro? É com ele. No último domingo, levou um esbarrão do defensor do Sport e caiu “desmaiado” no gramado. Levantou-se 10 segundos depois.

Neto Berola
Especialista em dobrar joelhos e amolecer as pernas. Velocista, cai com a mesma facilidade com a qual executa arrancadas pelas pontas. Por vezes sofre faltas, ignoradas devido ao exagero de seus saltos, e toma cartões de graça, que já lhe renderam suspensão no Mineiro e um pênalti não marcado a favor do Atlético diante do Grêmio, no Independência.

Para não passar batido, Alessandro, do América-MG, também é especialista no cacoete do joelho dobrado.

E para você, quem é o maior cai-cai do futebol mineiro?

Atlético-MG, Ronaldinho

Um “problema” chamado Ronaldinho

Pouco mais de um ano depois daquele jogo épico que terminou com vitória do Flamengo por 5 x 4 em cima do Santos, de virada, na Vila Belmiro, Ronaldinho Gaúcho voltou a receber nota 9,5 na Bola de Prata PLACAR.

BELO HORIZONTE/ MINAS GERAIS / BRASIL  (06.10.2012) Atlético x Figueirense - no Estádio Arena Independência - Campeonato Brasileiro 2012

Assim como na partida pelo time rubro-negro, o meia marcou três gols contra o Figueirense e foi o maestro do Atlético na goleada de 6 x 0 do último sábado. Ainda deu duas assistências, uma delas após arrancada do campo de defesa, digna dos tempos áureos de sua carreira na Europa.

Embora também tenha repetido a genialidade da cobrança de falta por baixo da barreira no Independência, Ronaldinho jogou ainda mais do que em sua exibição de gala na Vila Belmiro. Merecia nota 10? Não fosse a fragilidade do adversário, um atordoado Figueirense, vice-lanterna do Brasileiro, o camisa 49 teria levado nota máxima na Bola de Prata – pelo Flamengo, Ronaldinho fez sua melhor partida fora de casa, contra o Santos de Ganso e Neymar.

O torcedor rubro-negro que hoje vê seu ex-camisa 10 brilhar no Atlético, não só em jogos esporádicos, mas numa sequência convincente de boas atuações, deve coçar a cabeça tentando entender o que motivou a transformação do jogador. Na verdade, a mudança é circunstancial, mais relevante que o empenho de Ronaldinho por si só.

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O meia saiu escorraçado do Flamengo. Cobrou salários atrasados, colecionou faltas e atrasos a treinos, perdeu a motivação e entrou na Justiça contra o clube, que culpou o astro pelo desfecho melancólico de contrato.

Seu ressurgimento no Atlético prova que, apesar de ter pisado fora da linha na Gávea, a desorganização e falta de estrutura do time carioca contribuíram em boa parcela para o declínio de seu futebol.

A cada gol pelo Galo, Ronaldinho atesta que continua sendo um problema. Só para o Flamengo.

Atlético-MG, Ronaldinho

Daniel Nepomuceno, o candidato da massa atleticana?

Alexandre Kalil leva ao pé da letra a simpática alcunha popular que define a torcida do clube que dirige: “Massa do Galo”. É como os atleticanos se autointitulam.

Para “mexer” com sua massa, Kalil publicou vídeo na página oficial do Atlético no Facebook convocando a torcida alvinegra a “mostrar sua força” e pediu votos para o vice-presidente do clube, Daniel Nepomuceno (PSB), nas eleições municipais do próximo domingo.

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Daniel Nepomuceno (à esq.) entrega honraria a Ronaldinho, ponto alto de seu mandato como vereador

Como presidente do Galo, Kalil tem direito de apoiar quem quiser, ser cabo eleitoral do candidato que bem entender, embora os poucos oposicionistas que tem no Conselho o critiquem por partidarizar a diretoria atleticana com aliados do governo mineiro e da prefeitura.

O que fica nas entrelinhas, no entanto, sempre que clubes de futebol se transformam em palanques, é a suposta ideia de que o político indicado trabalhará de acordo com os interesses do time que o apadrinha na esfera pública.

Primeiramente, quem usa seu voto com a intenção (ou a ilusão) de beneficiar o próprio clube não é torcedor, mas sim tão oportunista e comodista quanto políticos que dependem da paixão pelo futebol para se eleger. Some-se a isso o fato de dirigentes e cartolas serem figuras clubísticas, alheias, na maioria dos casos, ao interesse público.

Em 1994 e 1998, o ex-presidente do Vasco, Eurico Miranda, elegeu-se deputado federal pelo Rio de Janeiro com votações expressivas, sob o argumento de que defenderia o clube de São Januário no Congresso. Não fez nada nem pelo Vasco nem pelo povo. Dois mandatos desperdiçados pelo incauto “voto-torcedor”.

O candidato de Kalil tenta renovar seu mandato na Câmara Municipal de Belo Horizonte, onde caiu de paraquedas em 2010, quando assumiu a cadeira de vereador como suplente no lugar do cassado Wellington Magalhães (PMN).

De acordo com ranking divulgado pela VEJA BH há duas semanas, Daniel Nepomuceno aparece entre os seis piores vereadores da capital. Foi campeão em um dos quesitos: menor média de assiduidade na Câmara. Compareceu a apenas 17% das sessões plenárias.

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Ainda registrou uma das maiores evoluções de patrimônio entre os candidatos avaliados (341%) – não por acaso foi inicialmente favorável à proposta de aumento salarial de 61,8% para os vereadores – e ganhou nota zero no quesito “fiscalização e controle” – não cumpriu o papel de policiar o poder público que, coincidência ou não, está nas mãos do prefeito Márcio Lacerda, candidato de seu partido à reeleição.

Fez algo pelo Galo? Fez. Concedeu o título de cidadão honorário a Ronaldinho Gaúcho em solenidade na Câmara em julho. Jogou para a torcida e agora quer colher os frutos nas urnas.

Com Ronaldinho e companhia, o torcedor atleticano tem sido bem representado nos gramados. Não se pode dizer o mesmo, entretanto, na eleição deste ano.

Cruzeiro

Três obstáculos que separam o agora veterano Alex do Cruzeiro

Foi só o meia Alex, campeão mineiro, brasileiro e da Copa do Brasil com o Cruzeiro, em 2003, anunciar sua rescisão de contrato com o Fenerbahçe, da Turquia, para a torcida cruzeirense iniciar campanha pela repatriação do ídolo.

O Cruzeiro já tem um camisa 10 (Montillo), mas uma eventual parceria com Alex poderia fazer o argentino retomar a inspiração do ano passado.

Mas não é tão simples pinçar um jogador do naipe de Alex. Embora o meia não tenha mais vínculo com o clube turco, existem outras barreiras que podem inviabilizar o negócio antes mesmo de uma prosa bem mineira com o ídolo celeste:

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1) DINHEIRO EM CAIXA
O Cruzeiro trabalha para reduzir o déficit do último ano e não fechar 2012 novamente no vermelho. A venda de jogadores não injeta milhões nos cofres dos clubes como no passado. Alex, se voltar ao Brasil, tem nome para reivindicar salário top no futebol brasileiro – partindo de 300 mil reais, valor equivalente aos vencimentos de Montillo. Para comportar Alex, a folha de pagamento precisa baixar. Uma solução seria abrir mão de uma das referências atuais da equipe: o camisa 10 argentino ou o goleiro Fábio. Porém, os dois já não têm o mesmo prestígio de mercado do ano passado. Dificilmente o clube conseguirá propostas vantajosas para repassá-los. E ainda perderia peças que fazem a diferença na equipe.

2) CONCORRÊNCIA SEDENTA
Santos, Grêmio e Inter aparecem como fortes concorrentes na briga pelo meia. Muricy Ramalho tentou contratar Alex no Palmeiras, em 2009. Não esconde sua admiração pelo craque e vê a armação, após a saída de Ganso, como posição prioritária na lista de reforços santista. O clube paulista, apesar de andar no limite das finanças para manter Neymar, dispõe de 24 milhões de reais da venda de Ganso para satisfazer o desejo de Muricy. Vanderlei Luxemburgo é outro fã declarado de Alex. Mesmo com Zé Roberto no elenco tricolor, sabe da importância de outro meia talentoso para o “projeto Libertadores 2013”. O Inter, que perdeu Oscar, é outro grande interessado no ouro dos cruzeirenses. Com menos bala na agulha, Palmeiras e Coritiba, sobretudo, correm pelas beiradas, apegando-se ao fato de serem antigas casas do meia. Não espantaria, ainda, se o Atlético entrasse na parada. Alexandre Kalil, conhecido admirador de ex-jogadores que passaram pelo rival, planeja reforços de peso para a possível volta do clube à Libertadores. Mas precisaria de uma boa lábia – e uma boa grana – para convencer Alex, que já declarou não ter intenção de defender rivais dos clubes em que jogou no Brasil.

3) CARO E COROA
Alex, unanimidade no Brasileiro de 2003, dificilmente voltará a ser aquele meia cerebral e formidável dos tempos de tríplice coroa. Há oito anos, não mostra sua técnica no futebol brasileiro, que também mudou muito de lá para cá. Valeria a pena endividar-se até o pescoço para repatriar um ídolo com 35 anos recém-completados? A experiência recente com Sorín indica prudência na balança do custo-benefício. O Cruzeiro, de certo, terá um craque no elenco. Mas não aquele craque que conduziu o clube a suas últimas conquistas nacionais.