Atlético-MG, Ronaldinho

No “reencontro pela razão” entre Fla e Ronaldinho, o Galo só tem a perder

A pilha de Ronaldinho Gaúcho às vésperas de entrar campo hoje à noite contra seu ex-clube é latente, tal qual o embate com o Grêmio no primeiro turno, quando o meia, formado na base do tricolor gaúcho, disparou palavrões no vestiário após a vitória do Atlético por 1 x 0.

“Chegando lá [no Rio de Janeiro], contra o Flamengo, vai ser como foi contra o Grêmio. Agora eu sou rival”, disse Ronaldinho à PLACAR em agosto.

BELO HORIZONTE/ MINAS GERAIS / BRASIL  (23.09.2012) Atlético x Grêmio - no Estádio Arena Independência - Campeonato Brasileiro 2012

O “atenuante” de ser rival não diminui a mágoa pelo tratamento hostil que recebe de duas torcidas que outrora o idolatraram. Ronaldinho, apesar das inúmeras distinções individuais nos tempos de Barcelona e do título mundial com a seleção em 2002, não tem, como gostaria ou um dia imaginara ter, status de ídolo nacional – diferentemente de Ronaldo, ex-companheiro na trajetória do penta.

Pelo contrário. O craque angariou a antipatia de suas antigas casas no Brasil. Com a certeza de injustiçado, de quem detém o controle da razão. O chapéu que deu no Grêmio em meio ao leilão entre clubes que sonhavam repatriá-lo ou o fato de ter se esbaldado na noite e saído do Flamengo 20 dias após o clube lançar sua linha personalizada de produtos não seriam motivos suficientes para torná-lo persona non grata?

Ronaldinho amenizou. “Desde que eu cheguei ao Rio, sempre vivi e fiz tudo da mesma forma que fiquei sete meses sem perder e ajudei a levar o Flamengo para a Libertadores. Quando as coisas não saíram bem, inventaram um monte de coisa.”

O meia entende que deixou o Flamengo com saldo positivo. O irmão e empresário, Roberto Assis, que cobra 55 milhões de reais do clube carioca na justiça, parte da tese de que o clube rubro-negro só fechou acordo milionário com a Globo por causa da presença de Ronaldinho no time.

Meia cerebral do Galo, o jogador, hoje, é bem diferente do ponta preguiçoso que fazia figuração na Gávea em seus últimos meses de Rio de Janeiro. Ganhar ou perder não dá um “atestado de razão” a Ronaldinho ou Flamengo.

A única certeza é que o Atlético não ganha nada com a espetacularização do duelo com o então 14º colocado do Brasileiro.

Cruzeiro

Feira de inutilidades

Justiça é palavra que não existe no dicionário “futebolês”. No último sábado, quando embarcava para São Paulo com a delegação do Cruzeiro, o goleiro Fábio, mais de 350 jogos com a camisa celeste somente em Campeonatos Brasileiros, foi surpreendido com um protesto de torcedores que erguiam pés de alface para ironizá-lo.

Em menos de dois meses, Fábio falhou contra Ponte Preta, Vasco e, para os mais exigentes, saiu atrasado para cortar cruzamento que resultou no gol da vitória do São Paulo, marcado por Osvaldo, neste domingo.

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Mas ele não falha sozinho. Nos jogos em que errou, o goleiro fez pelo menos uma defesa difícil e salvou o time, como fizera em outras rodadas do campeonato. Com uma defesa insegura a sua frente, até hoje sem uma dupla fixa de zagueiros, Fábio sofre. Os adversários têm liberdade de sobra para chutar. Por vezes, aparecem na cara do gol.

Sem retaguarda, o capitão cruzeirense vive em constante apreensão, perdeu a autoconfiança característica. Por isso, hesita em assumir falhas. Não quer (e nem deve) levar a culpa sozinho pelos últimos jogos de amargar do Cruzeiro.

Com o time em parafuso, Montillo também caiu de produção. Merece ser alçado à mira da torcida? De forma alguma. Existem aqueles que justificam a metralhadora no contracheque. Por terem os maiores salários do elenco, Fábio e Montillo devem carregar no lombo a incompetência dos outros? Também não.

Torcedores que se apoiam nesse argumento são os mesmos que acusam de mercenário o sujeito que aceita proposta melhor de outro clube. Jogadores ganham os tubos porque existem dirigentes megalomaníacos dispostos a pagá-los. É lei de mercado. No lugar de Fábio e Montillo, qualquer torcedor não abriria mão de um centavo que recebe.

Há pouco tempo, Fábio era visto como injustiçado na seleção pela maioria dos cruzeirenses. Queixa que procede, de fato. Afinal, o Brasil não dispõe de uma safra generosa de goleiros.

Em um período de escassez na lavoura, chamar o ídolo do time de “mão de alface” é tão improdutivo quanto o mercado de novos talentos que não oferece um substituto à altura.

Atlético-MG

Entre o Galo e umas goladas

Flagre um jogador de futebol roubando uma loja, mas não surpreenda-o com um copo de cerveja nas mãos. Para boleiros, ser pego com a boca na botija (ou na birita) é crime inafiançável.

Faz parte de um puritanismo piolhento que contaminou o futebol. Em entrevista à PLACAR no ano passado, Edmundo falou sobre como a hipocrisia reina no mundo da bola: “Cansei de ver atleta de Cristo na balada bebendo cerveja em latinha de refrigerante.”

Danilinho, na contramão de sua classe, parece não se importar com a patrulha demagógica de torcedores e técnicos broncos. Em seu perfil no Facebook, o meia do Atlético publica fotos com o inseparável suco de cevada e revela sua predileção pela bebida. E até tira sarro.

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Legendas como “tomando ‘guaraná’” e “tomando um ‘refresco’” atestam o desprendimento do jogador em relação ao código de conduta padrão da boleirada. Inclusive na concentração, após a vitória do Galo sobre o Sport, em julho, o meia não dispensou uma generosa caneca de chopp.

Não há nada de errado nisso. Jogadores de futebol, como pessoas normais, têm o direito de beber em suas folgas. O que preocupa os clubes são os excessos que costumam acompanhar o consumo de álcool.

Nesse caso, o histórico de Danilinho o condena. Em janeiro, após o anúncio de seu retorno ao Atlético, o jogador foi flagrado bebendo e fumando em um boteco de Belo Horizonte. A torcida chiou. Ele havia sido reforço mais caro do início de temporada. O Galo pagou 1,8 milhão de reais por seu empréstimo até o fim do ano.

Dois meses depois, faltou a um treino sem dar explicações. Já em agosto, envolveu-se em confusão durante festa que varou a madrugada em Sete Lagoas. O episódio rendeu bronca pesada do presidente Alexandre Kalil, que espirrou em Ronaldinho Gaúcho e por pouco não desencadeou crise entre jogadores e diretoria.

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Calejado por insistir na contratação de jogadores rotulados como baladeiros, Kalil decretou que a tolerância com quem andasse fora da linha havia chegado ao fim. E Danilinho sabe que seu crédito com a cúpula atleticana acabou. Mas, nem por isso, deixa de beber (e exibir com orgulho) sua gelada nas horas vagas.

Personalidade ou atrevimento? No mínimo, um tapa no falso e cambaleante bom-mocismo dos boleiros.

Cruzeiro

A sina de Roth

O oitavo lugar no Brasileirão com o Cruzeiro, candidato ao rebaixamento antes do início do campeonato, não seria demérito para o técnico Celso Roth. O time chegou à liderança por uma rodada, figurou no G4 e mostrou pegada em alguns jogos. Entrega, porém, que não apaga incorreções.

O Cruzeiro de Roth não tem um padrão. Muda ao sabor de lesões, suspensões, desequilíbrios e da inventividade do técnico. Inventividade conservadora, sem ousadia.

Na formação que perdeu ontem para o Figueirense, Roth lançou mão de um desastrado 3-6-1. Souza na lateral, Leandro Guerreiro como líbero e a tradicional e previsível trinca de volantes. O técnico insiste em remar contra a maré do futebol brasileiro.

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Times que jogam para frente ou por resultado, como Atlético, Fluminense, Grêmio e Corinthians, espalham o meio-campo para avançar pelas laterais. Em boa parte dos casos, utilizam dois volantes, seguindo a moda do 4-2-3-1, e não perdem consistência. Insuficiente para convencer Celso Roth de que sua obsessão por volantes anda ultrapassada.

Trabalhos de Roth em pontos corridos dizem muito. Em 2007, no Vasco, ele dirigiu o time até a 32ª rodada. Situação semelhante à do Cruzeiro este ano: elenco razoável, mais vontade do que técnica e oscilação. A equipe que goleava no meio da semana era goleada na partida seguinte.

O Vasco de Roth, que também ocupou a liderança e brigou por vaga na Libertadores até a 23ª rodada, terminou o campeonato em 10º lugar, treinado nas últimas seis rodadas por Valdir Espinosa.

Já no Atlético, em 2009, Roth tinha plantel para trabalhar. Comandou o Galo do início ao fim do Brasileiro. A equipe ficou oito rodadas no topo, perdeu o pique na metade final do campeonato e, com incríveis cinco derrotas nos últimos cinco jogos, acabou em sétimo, sem a vaga na Libertadores.

Em 2010, Roth assumiu o Inter na oitava rodada. Não conseguiu fazer deslanchar o time campeão da Libertadores, que tinha Taison, D’alessandro, Giuliano, Rafael Sóbis e Oscar. Mais um sétimo lugar para o currículo.

Repetir o retrospecto com o Cruzeiro não seria um desastre. Estaria até de bom tamanho pela temporada de vacas magras celeste. E confirmaria o atual status de Roth: um técnico mediano para times medianos que não sonham com nada além da metade da tabela.

Atlético-MG, Ronaldinho

Bernard e Ronaldinho têm lugar na seleção? No time de Mano, não

O clamor popular, aquele que extirpou de Ronaldinho Gaúcho a distinção de craque após a saída truncada do Flamengo, agora reivindica uma vaga para o camisa 49 do Atlético na seleção brasileira.

Algo natural, já que, enquanto a seleção anda meio capenga, baqueada pelo trauma olímpico, Ronaldinho desfila categoria em terras mineiras. Contra o Palmeiras, o meia driblou, deu passe de letra e levantou a bola para Leonardo Silva abrir a contagem de 3 x 0 para o Galo.

Autor dos outros dois gols atleticanos, o serelepe Bernard, 20, também ganha adeptos na corrente dos selecionáveis. A dupla afinada do Galo pode ser reproduzida na seleção?

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Ronaldinho é um caso à parte. Já passou pela perícia de Mano Menezes, teve mais de uma chance, mas, inconstante no Flamengo, não convenceu. Fez pouco para o que se esperava dele, sobretudo como um líder da nova geração. Também não conta com a simpatia do presidente da CBF, José Maria Marin.

Em entrevista à revista PLACAR de setembro, Ronaldinho diz que não desistiu da seleção: “Meu objetivo é participar da Copa do Mundo de 2014. Se eu estiver bem no Galo, a seleção virá naturalmente.” Não é tão simples assim.

Para voltar a ter crédito com Mano, Ronaldinho, além de manter a curva ascendente no Atlético, terá de driblar a concorrência. Oscar é o dono da 10, um dos poucos que se salvam em meio ao futebol fosco da seleção.  Vaga encaminhada para 2014.

A ponta esquerda, posição em que Ronaldinho brilhou no Barcelona, também já está ocupada – ninguém tira Neymar de lá. A direita, indefinida entre Lucas e Hulk, não é a dele. Nem a de Bernard, que atua pela esquerda no Galo.

O dueto atleticano teria de se contentar, hoje, com a reserva na seleção de Mano, estruturada em um 4-2-3-1 muito semelhante ao do time mineiro. No caso de Ronaldinho, não é confortável para o técnico da seleção administrar um medalhão desse porte no banco.

Bernard ainda não foi testado. Assim como Romarinho, do Corinthians, desabrochou depois da reformulação. Por falta de tempo para maturação, pode ficar no vácuo da entressafra, a exemplo de Neymar e Ganso às vésperas da última Copa.

Sem espaço no esquema e nos planos de Mano, a boa fase dos craques do Galo corre distante da consagração com a camisa amarela.

Atlético-MG, Cruzeiro

Ronaldinho x Montillo: duelo mineiro pelo tri na Bola de Prata

Hoje à noite, Cruzeiro e Atlético-MG entrarão em campo sem suas estrelas. Ronaldinho Gaúcho cumpre suspensão pelo terceiro cartão amarelo. Montillo ainda não se recuperou de lesão na coxa esquerda.

Cruzeiro e Atlético sofrem na mesma proporção com a ausência dos craques, pilares de criatividade no meio-campo. A dupla, que se enfrentou pela primeira vez no clássico que encerrou o primeiro turno do Brasileiro, briga pelo tri na Bola de Prata da PLACAR.

Ronaldinho faturou o troféu em 2000, pelo Grêmio, como atacante, e em 2011, pelo Flamengo, como meia. O argentino também levou o bi no ano passado – já havia sido um dos melhores meias do campeonato em 2010.

O panorama atual é favorável ao camisa 49 atleticano. Com média de 6,37 nas notas da premiação, ele é o segundo melhor meia do Brasileirão, atrás apenas de Juninho Pernambucano, do Vasco, com 6,62.

Ronaldinho fala sobre expectativa pela terceira Bola de Prata 

Montillo aparece em 13º na listagem dos meias, com 5,92 de média. Se em 2010 havia feito um segundo turno impecável em seu início de trajetória no Cruzeiro, em 2011 o argentino se garantiu com boas atuações na primeira metade do campeonato, quando o time celeste não flertava com a zona de rebaixamento.

No ano passado, o então rubro-negro Ronaldinho fechou a competição com 6,29 de média, como melhor meia, contra 6,24 de Montillo. Para voltar à premiação ao lado do rival alvinegro, o camisa 10 cruzeirense vai precisar galopar no segundo turno, como fez em 2010, e ainda ultrapassar os atleticanos Bernard (6,26) e Danilinho (6,03) – além de desbancar o líder Juninho.

No clássico mineiro, ambos foram decisivos. Montillo não marcou, mas deu assistências. Nota: 6,5. Ronaldinho também distribuiu bons passes e coroou sua atuação com um golaço no final. Levou 8, ampliando sua vantagem sobre o meia celeste.

Cada um já disputou 19 jogos neste Brasileirão. Restam 16 rodadas, incluindo o clássico no final, para saber qual time mineiro tem o melhor meia do Brasil.

Atlético-MG

Choro inimigo

Acaba o jogo, vitória do Corinthians, e o presidente do Atlético, Alexandre Kalil, vocifera no Twitter: “Quando um bandeira erra contra o Corinthians, a comissão de arbitragem cai inteira. Vamos ver o que vai acontecer agora.”

Quanta hipocrisia, Kalil. Se puxar rapidamente pela memória, o dirigente atleticano irá se lembrar de pelo menos duas ocasiões em que seu time foi beneficiado por erros de arbitragem neste Brasileirão.

E quando Jô tropeçou sozinho contra o Náutico? Pênalti marcado e convertido para desempatar o jogo. E contra o Fluminense? Gol de Fred anulado por impedimento mal assinalado. O Galo saiu com um empate generoso do Engenhão.

Cuca, que também culpou o apito pela derrota de ontem, foi o mesmo que desconversou ao ser questionado a respeito do lance polêmico contra o tricolor carioca, dizendo que o empate havia sido justo. O mesmo, inclusive, que jogou panos quentes sobre os erros dos bandeiras que, de forma equivocada, anularam dois gols do Atlético diante do Santos. Como seu time venceu por 2 x 0, Cuca preferiu absolver a arbitragem.

É isso que torna o chororô deplorável. A queixa em torno dos árbitros virou muleta para justificar derrotas. Semana passada conversei com o inglês Tim Vickery, correspondente da BBC no Brasil há quase 20 anos. Compartilho de sua frustração com o futebol brasileiro. Para ele, a obsessão que envolve a arbitragem no país ofusca o espetáculo, coloca clubes em descrédito. A maioria deles convive com a sombra de uma ilusória conspiração do apito.

Tal qual a lamúria de Kalil, é patético ver o Vasco detonar o árbitro ao perder para o Atlético no Independência, em jogo com erros para os dois lados. Assim como na partida de ontem. Ou o lance da expulsão de Emerson foi inconteste? Ou o impedimento mal marcado de Leonardo Silva encobre a falta (também questionável, obviamente) do zagueiro sobre Fábio Santos?

A arbitragem brasileira erra demais. Porém, sem dúvidas, é muito mais preparada e profissional do que dez, vinte anos atrás.

O Galo ainda ressente de juizadas grosseiras que lhe valeram a perda de títulos nas décadas de 70 e 80. Mas os tempos mudaram. Supostos complôs e armações não servem como justificativa para os tropeços do time, que hoje lidera o Brasileiro. O choro é livre, entretanto, despropositado, demagogo. Um complexo de eterno prejudicado que bota a pilha errada em um dos Atléticos mais promissores dos últimos anos.